sexta-feira, 15 de março de 2013

Não faltam avisos: cuidado com o clima


Por Washington Novaes

É preciso insistir e insistir: as grandes cidades brasileiras - mas não apenas elas - precisam criar com urgência políticas do clima que as habilitem a enfrentar com eficiência os "desastres naturais", cada vez mais frequentes e intensos e que provocam um número cada vez maior de mortos e outras vítimas; precisam arrancar do fundo das gavetas projetos que permitam evitar inundações em áreas urbanas; criar planos diretores que incorporem as novas informações nessa área; rever os padrões de construção, já obsoletos, concebidos em outras épocas, para condições climáticas muito mais amenas - e que se mostram cada vez mais vulneráveis a desabamentos; incorporar as universidades nessa busca de formatos científicos e tecnológicos.

Segundo este jornal (21/2), de 12 locais alagados em uma semana no mês passado na cidade de São Paulo, 11 já sofriam com inundações há 20 anos - entre eles, alguns dos pontos com mais veículos e pessoas, como o Vale do Anhangabaú, a Avenida 23 de Maio, a Rua Turiaçu. E a Prefeitura de São Paulo promete desengavetar 79 obras antienchentes, algumas delas abafadas há 15 anos. Inacreditável. O governo do Estado assegura que vai trabalhar em 14 piscinões (outros 30 caberão a parcerias público-privadas), além de aplicar mais R$ 317 milhões em desassoreamento do Rio Tietê, onde já foi gasto R$ 1,7 bilhão (terá de gastar muito mais enquanto não decidir atuar nas dezenas de afluentes do rio sob o asfalto, que carregam sedimentos, lixo, esgotos, etc.). A população paulistana ficará muito grata - ela e 1 milhão de pessoas que entram e saem diariamente da cidade (Estado, 27/2).

Enquanto não houver uma ação enérgica na área do clima e na revisão dos padrões de construção em toda parte, continuaremos assim, como nas últimas semanas: obra irregular provoca desabamento de prédio na Liberdade e mata pedestre (1.ª/3); edifício de 20 andares desaba no Rio e arrasta mais dois, com 22 mortos (25/1); desabamento de lajes em construção de 13 pavimentos em São Bernardo do Campo mata duas pessoas (6/2); enchente em fábrica mata quatro em Sorocaba; inundação no Rio mata cinco pessoas (8/3); homem salva três pessoas e morre junto com um estudante, levados pela enxurrada durante temporal de cinco horas no Ipiranga, quando caiu um terço da chuva prevista para o mês e fez transbordar o Tamanduateí (11/3); deslizamento na moderna Rodovia dos Imigrantes mata uma pessoa e interrompe o tráfego (22/2), numa chuva de 183,4 milímetros, algumas vezes mais do que o índice médio de chuvas em um mês na região. Até o Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, perdeu mais de 130 caixas de documentos históricos num temporal no centro da cidade (10/3).

Não pode haver ilusões. O Brasil já está em quinto lugar entre os países que mais têm sofrido com desastres climáticos. O Semiárido, em outubro último, teve o mês mais seco em 83 anos, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (Estado, 31/10); 10 milhões de pessoas foram atingidas em mais de 1300 municípios. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão da Convenção do Clima, este ano só divulgará parte de seu novo relatório, mas seu secretário-geral, Rajendra Pachauri, já adverte que é preciso "espalhar a preocupação", de vez que, com o aumento da temperatura, até 2050, entre 2 e 2,4 graus Celsius, o nível dos oceanos se elevará entre 0,4 e 1,4 metro - mas poderá ser mais, com o avanço do degelo no Ártico (Guardian, 28/2).

Não é por acaso, assim, que o sistema escolar público dos Estados Unidos já tenha, este ano, incorporado as questões do clima a seu currículo para os alunos. E que o Conselho da União Europeia tenha aprovado 20% do seu orçamento - ou 960 bilhões - para políticas e ações nessa área. Porque as informações são altamente preocupantes. Como as da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (9/3) de que duplicou, de 1970 para cá, a superfície de terras afetadas pela seca no mundo; ou a de que as emissões de dióxido de carbono CO2 por desmatamento, atividades agrícolas e outros formatos, entre 1990 e 2010, cresceram muito - e o Brasil responde por 25,8 bilhões de toneladas equivalentes de CO2, seguido pela Indonésia (13,1 bilhões de toneladas) e pela Nigéria (3,8 bilhões).

Os problemas com o clima, diz a Universidade de Reading (1.º/3), indicam que será preciso aumentar a produtividade na agricultura em 12% a partir de 2016, para compensar as perdas e as mudanças nos ambientes. A vegetação nas latitudes mais ao norte da América está mudando, começa a assemelhar-se à das áreas mais ao sul, segundo a Nasa (UPI, 12/3), que analisou o período 1982-2011; e lembra que as atividades no campo terão de adaptar-se. Também há alterações muito fortes em outras regiões, como nos Rios Tigre e Eufrates, que em sete anos (2003-2010) perderam 144 quilômetros cúbicos de água, equivalentes ao volume do Mar Morto (O Globo, 14/2).

Em toda parte as informações inquietam. Universidades da Flórida, por exemplo (Huffpost Miami, 12/3), alertam que será preciso transplantar três grandes estações de tratamento de esgotos no sul do Estado para evitar que elas fiquem "confinadas em ilhas" em menos de 50 anos, por causa da elevação do nível do mar. O almirante Samuel J. Locklear III, comandante da frota norte-americana no Pacífico, diz que essa elevação do nível dos oceanos "é a maior ameaça à segurança". E que China e Índia precisam preparar-se para socorrer e evacuar centenas de milhares ou milhões de pessoas.

Retornando ao início deste artigo: as cidades brasileiras não podem adiar o enfrentamento das mudanças do clima, principalmente quanto a inundações e deslizamentos de terras (o Brasil tem mais de 5 milhões de pessoas em áreas de risco). Segundo a revista New Scientist (20/10/2012), 32 mil pessoas morreram no mundo, entre 2004 e 2010, em eventos dessa natureza (em terremotos, 80 mil). Não faltam avisos.

Fonte: Estadão.com

Dicas para fazer montagem de arranjos florais


Ter flores e plantas dentro de casa traz harmonia, alegria e cômodos mais agradáveis e coloridos, além de bem-estar a seus moradores.

Montar um arranjo floral não é difícil, basta escolher as flores que mais lhe agradam e que combinem com o tipo de decoração da sua residência. Os arranjos sempre dão um toque de personalidade para o ambiente, podendo ser utilizados na sala, no quarto, na varanda, na cozinha e até mesmo no banheiro.

Dicas para montagem de arranjos:

- Antes de iniciar a montagem, limpe as folhas do caule. Corte as hastes sempre na diagonal, pois isso aumenta a área de absorção da água;

- Para obter uma ótima harmonia, a altura das flores e plantas utilizadas deve atingir mais ou menos um palmo a mais do vaso, garrafa ou o ambiente que for montado o arranjo;

- Inicie a montagem colocando as flores pelas bordas, assim as hastes se entrelaçam no interior do arranjo acomodando-se melhor no miolo;

- Troque a água de dois em dois dias e retire as pétalas caídas;

- O arranjo pode ser montado em vários “utensílios” como garrafas e latinhas (bem lavadas), em potes de vidros, e claro, dentro de vasos.

Opções de flores para o mês de março:

- Margarida

- Áster

- Orquídea

Para montar e cuidar dos arranjos, além das flores, é preciso ter as ferramentas certas e, para resolver essa questão, a marca alemã Gardena oferece diversas soluções para jardinagem e irrigação residencial. Possui, entre outros produtos, uma tesoura exclusiva para rosas e acessórios como luvas de jardinagem ideais para realizar esse trabalho.

A tesoura para rosas possui quatro funções: cortar, segurar a flor de corte, eliminar espinhos e esmagar os caules. Já as luvas de plantar possuem a parte interna muito maleável, sendo ideais para todos os trabalhos de jardinagem delicados, por exemplo, envazamento, transplantação e plantação de plantas.

Fonte: Ciclo Vivo 

Alemães comercializam refrigerante de "Cola" orgânico


Uma empresa alemã, fabricantes de refrigerantes, a Bionade, está lançando uma nova versão de bibida sabor cola. Mesmo o novo produto sendo feito de substâncias diferentes, ele tem um aspecto e sabor bastante similiar ao da bebida da Coca-Cola.

A bebida organica tem nemor concentração de gás e 50% menos açúcar que o refrigerante tradicional. É produzido a partir de uma nova essencia que substitui a cola, planta comunmente usada para se produzir refrescos do sabor cola.

Ingredientes como canela, cravo, gengibre e baunilha, são introduzidos na receita, a qual lembra o sabor da tradicional Coca - Cola. Com isso, a Bionade, tenta obter um resultado semelhante ao da bala de Coca-Cola vendida no Brasil.

O gás da bebida alemã é obtido através de um tipo de fermentação, um pouco similar ao que ocorre na fabricação da cerveja. Ou seja, no lugar do alcool, quando se fermenta o Malte, a composição acaba gerando um outro tipo de ácido, o qual produzirá as borbulhas da fórmula.

A Bionede, que na Alemanha já vendia outros tipos de bebidas orgânocas com sabor laranja, frutas silvestres, ervas e lichia, não é a pioneira em bebidas naturais no país. Lá é possível encontrar mais duas fabrincantes desse tipo de bebida, porém nenhuma com o sabor cola.

Fonte: Ciclo Vivo 

Sul-coreanos planejam transformar lixo do oceano em continente habitável


Em consequência da enorme quantidade de plástico produzida e descartada constantemente, os oceanos estão repletos de resíduos deste tipo. O Pacífico possui inclusive um ponto chamado de ilha de plástico. Uma dupla de arquitetos sul-coreanos planejou uma alternativa que deve minimizar este problema.

O projeto criado por Park Sung-Hee e Na Hye Yeon consiste em transformar essa enorme quantidade de plástico em uma base para a construção de um novo “continente”. Os arquitetos chamam a ideia de “Ilhas Flutuantes” e, se depender do lixo que está em movimento nos oceanos, é provável que a ideia se torne real.

A estrutura seria dividida em módulos, cada um deles contando com três coletadores, que além de permitirem a navegação pelo oceano, também coletam o lixo encontrado no caminho. Após estarem completos, os módulos são fechados e se conectam ao “continente”.

Os arquitetos planejam levar vida à superfície destes módulos, tornando-os verdadeiras ilhas habitáveis. Por isso, o módulo central deve ser coberto com solo, para permitir o cultivo de alimentos. Os módulos vazios seriam utilizados como um complemente para o ecossistema local, com mangues e pradarias.

O continente artificial ainda teria um resort e hidrovias que permitiriam a prática de atividades náuticas. Para deixar o local confortável e autossuficiente o complemento seria feito através da inserção de criações animais e vegetais.

Fonte: Ciclo Vivo 

Fóssil de baleia azul com quase 2 mil anos pode ajudar a evitar extinção da espécie


Um fóssil de baleia azul (Balaenoptera musculus) com aproximadamente 1,8 mil anos, encontrado na praia do Leste, no município de Iguape, litoral sul paulista, poderá ajudar a evitar a extinção da espécie. "Nós encontramos ossos da coluna vertebral e pegamos a bula timpânica, que é equivalente ao ouvido. [Isso] vai permitir que eu possa identificar com certeza a espécie", explica o professor Francisco Buchmann, coordenador do Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Parte do crânio do animal foi encontrado por um morador local, em agosto do ano passado. Ewerton Miranda de Souza entrou em contato com a Sociedade Brasileira de Paleontologia que indicou o laboratório da Unesp para remover e avaliar os ossos. Nesta semana, a idade do osso foi atestada após análise de um laboratório americano especializado em datação por meio do carbono 14. Estima-se que a peça tenha entre 1,8 mil e 1,9 mil anos.

Buchmann destaca que, atualmente, existem apenas entre cem e 200 baleias dessa espécie no mundo. "Normalmente, fala-se que a [população de] baleia azul está crescendo, mas [com essa descoberta] vai ser possível provar com certeza que sim ou que não. [Será possível dizer]: eu não acho que é uma baleia azul, eu tenho certeza que é uma baleia azul", explica.

Na avaliação do professor, a espécie continua bastante ameaçada, pois a pesca é intensa, especialmente em países como a Noruega e o Japão. "A pressão é muito grande. Esses animais levam, às vezes, dez, 20, 30 anos para fazer um filhote. Se eu matar três quartos [da espécie], para ter esses três quartos de novo vou ter que esperar 50 ou cem anos para recuperar e não dá tempo, porque no ano que vem vão continuar matando", apontou.

Além de contribuir para a conservação da espécie, a descoberta vai permitir estudos sobre a variação do nível do mar. "Inicialmente, eu pensei que o fóssil teria 6 mil anos, porque foi quando teve uma grande variação do nível do mar", explica. Depois de constatada a idade dos ossos, Buchmann concluiu que a fossilização ocorreu em virtude de um grande evento natural, como por exemplo uma tempestade.

"[Ocorreu] algo que encalhou esse animal na praia e rapidamente esse mesmo evento soterrou o animal. Ele ficou pelo menos parcialmente soterrado e isso favoreceu a fossilização", explicou. De acordo com o pesquisador, "todo organismo tem grande potencial de se tornar um fóssil, mas se ele cair na rua, por exemplo, ele apodrece. Agora, se um animal for soterrado, ele fica isolado do oxigênio, então ele não apodrece, ele fossiliza. As condições do ambiente favoreceram isso", esclareceu.

A praia onde os ossos foram encontrados tem rápida erosão, segundo o pesquisador, e foi isso que possibilitou a descoberta dos fósseis. "Em 2011, a distância do mar para onde a baleia foi encontrada era 700 metros. Isso quer dizer que, em 11 anos, o mar invadiu 700 metros, caíram várias casas, ruas inteiras desapareceram. Debaixo de uma das casas que caiu, apareceu essa baleia", relatou. Desde que ossos foram descobertos, o mar já avançou mais e agora a área está sob a água.

Fonte: Ciclo Vivo 

Instalação de sacolas plásticas em Roma: contra consumismo e poluição



Foto: Divulgação

Esta gigante colmeia de sacolas plásticas, com mais de 10 metros de altura, está exposta no MACRO – Museu de Arte Contemporânea de Roma, na Itália. O idealizador é o artista africano Pascale Marthine Tayou, que costuma criar instalações com objetos banais do cotidiano.

Para esta obra - Plastic Bags - Tayou escolheu as sacolas plásticas para representar o consumismo e a poluição provocada pela nossa sociedade com esse material. Os sacos coloridos desta obra também são um símbolo da cultura do descarte, na qual muitos objetos têm vida útil curta e logo viram lixo, que muitas vezes é descartado sem preocupação ambiental.

A ideia é que os visitantes do museu reflitam sobre seus próprios hábitos de consumo e de descarte. Eis algumas questões-chave para ajudar nesse momento:

- consumo do que realmente é necessário, sem exageros ou desperdícios;
- redução do uso de embalagens e sacolas descartáveis; e
- reciclagem dos materiais que não têm mais uso.

Aproveite essa atmosfera de reflexão e comente sobe o que sentiu ao ver a obra de Tayou. Você acha que a arte é uma boa forma de instigar o debate sobre consumo e lixo?


Fonte: Super Interessante

Enriquecer cobertura florestal pode manter qualidade da água



Estudo aponta que presença de cobertura florestal e recuperação das florestas já existentes pode contribuir para a manutenção da qualidade de águas superficiais e também para aumentar sua proteção

A presença de cobertura florestal é essencial para a manutenção da qualidade da água dos corpos d’água em regiões com atividade agrícola e pecuária. Ao mesmo tempo, a recuperação e o enriquecimento das florestas já existentes pode proporcionar uma resposta mais rápida para a proteção das águas superficiais. As constatações são de uma pesquisa da engenheira Carla Cristina Cassiano realizada no LCF - Departamento de Ciências Florestais da Esalq - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz USP, em Piracicaba.

O estudo foi dividido em duas partes. A primeira buscou avaliar as condições da vegetação florestal na área de estudo e o seu potencial na prestação de serviços, e a segunda parte mensurou o efeito desta vegetação em parâmetros físico-químicos da água. "As unidades de estudo foram definidas na bacia do rio Corumbataí (interior de São Paulo), a partir do mapeamento do uso do solo do ano de 2000 pelo método de amostragem adaptativa, onde as unidades deveriam apresentar um mínimo de 70% de matriz e 10% de cobertura florestal", explica Carla. "Foram selecionadas seis unidades de 16 quilômetros quadrados (km2), três unidades com matriz de pasto e três unidades com matriz de cana-de-açúcar".

Com as unidades definidas foram realizados os mapeamentos por fotointerpretação para cinco datas (1962, 1978,1995, 2000 e 2008) e, a partir disso, foi possível calcular as mudanças do uso do solo e índices para os fragmentos florestais que identificaram sua trajetória. "A pesquisa propôs uma metodologia para caracterizar o potencial de proteção dos recursos hídricos pelas florestas a partir da estrutura e dinâmica da paisagem, permitindo a diferenciação da vegetação florestal de acordo com o seu histórico, localização e características do terreno", aponta o professor Silvio Frosini de Barros Ferraz, que orientou a pesquisa.

VEGETAÇÃO FLORESTAL

Segundo a autora do trabalho, os resultados mostraram que a vegetação florestal na área de estudo tem aumentado nos últimos anos, dando indícios ao inicio de uma fase de regeneração, conhecida como a segunda fase da transição florestal, porém apenas estudos futuros poderão confirmar essa análise. "No entanto, a paisagem apresentou uma baixa cobertura florestal, de aproximadamente 16% da área de estudo, com muitos fragmentos pequenos, geralmente próximos a cursos d’água de primeira ordem. Das florestas existentes, apenas um terço estaria exercendo seu potencial pleno de conservação das águas", conta.

De acordo com o orientador do estudo, quando pensamos em aumentar a proteção dos recursos hídricos pela vegetação florestal é interessante se atentar para a recuperação dos fragmentos florestais já presentes na paisagem. "Muitas vezes é dada uma importância maior ao plantio de novas áreas, do que ao enriquecimento das já existentes. Plantios novos levarão mais tempo para se estabelecer e se desenvolver enquanto a recuperação dos fragmentos poderá apresentar uma resposta mais rápida para o aumento e a permanência dessa vegetação florestal na paisagem e consequentemente para oferta de serviços ecossistêmicos", conclui Ferraz.

A conversão de florestas em usos antrópicos tende a reduzir a qualidade da água, devido ao aporte de nutrientes e sedimentos provenientes da movimentação e manejo do solo. "As florestas se apresentam como a melhor cobertura do solo para a manutenção da qualidade natural das águas superficiais, proporcionando serviços ecossistêmicos de regulação e provisão desse recurso", aponta Carla. Em contrapartida, segundo a pesquisadora, "a presença de vegetação florestal na área ripária pode reduzir esses efeitos, através da prestação de alguns serviços de proteção dos corpos d’água".

Com o objetivo de detectar a influência da mata ciliar na composição físico-química da água em microbacias agrícolas, a engenheira florestal desenvolveu, no programa de Pós-graduação em Recursos Florestais da Esalq um trabalho de avaliação da cobertura florestal sua relação com os recursos hídricos. A proposta está inserida no projeto "Avaliação multi-escala de impactos ambientais em paisagem fragmentada agrícola" coordenado pela professora Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz, do LCF, que busca avaliar os impactos na fauna, na flora e na água resultantes da ocupação e uso do solo na área rural. O professor Silvio Frosini de Barros Ferraz, também do LCF, orientou a pesquisa, que teve apoio da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.


Fonte: Planeta Sustentável

Se sancionado, novo Código Florestal reduzirá em 58% a recuperação de florestas



Cenário desolador é deixado no desmate ao cerrado para expansão da soja no Mato Grosso

Caso o novo Código Florestal entre em vigor como está, a área florestal a ser recuperada reduzirá 58%. A conclusão consta em um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais, parte de um modelamento da expansão da agricultura no país encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, de acordo com informações do jornal O Estado de S.Paulo.

Atualmente, os vetos presidenciais do novo Código Florestal tramitam no Congresso Nacional. Existem três ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) sobre mais de 20 dispositivos do novo Código Florestal. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou naterça-feira, 12 de março, em Brasília, que os fundamentos constitucionais da legislação ambiental são sólidos e que as ações não vão produzir efeito.

De acordo com a análise, apenas dentro do cerrado, bioma que sofre com a expansão da soja, 40 milhões de hectares poderão ser desmatados legalmente, uma vez que há uma grande extensão de propriedades com ativo florestal. Outro bioma ameaçado é a Caatinga, com cerca de 26 milhões de hectares passíveis de desmatamento.

Já a área de passivo ambiental, na qual a recuperação da vegetação nativa é obrigatória, cairá de 50 milhões de hectares para 21 milhões, com o novo texto. O estudo ressalta que os estados mais prejudicados serão Mato Grosso, Pará, Minas Gerais e Bahia.

Expansão

Os autores do estudo reforçam que a principal causa do desmate é a grande pressão pela expansão agrícola brasileira. Para o pesquisador Britaldo Silveira Soares-Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG, o ideal é as políticas agrárias foquem no planejamento da produção e no aumento da produtividade em áreas já ocupadas, evitando o desmate.

"Uma possibilidade é criar um mercado de terras florestadas, em que quem tem excedente de floresta nativa em sua propriedade gera um título para quem tem um déficit. É preciso desenvolver políticas de manutenção de floresta em pé", declarou.


Exposição no metrô paulista alerta para a escassez de água



Fotos: divulgação

As pessoas que passam pela estação Clínicas do Metrô de São Paulo podem conhecer, até o dia 30 de abril, a mostra "Gotas", produzida pela artista plástica Andrea Laybauer. A exposição visa chamar a atenção para o consumo consciente da água diante das comemorações do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março.
  

A artista utilizou a macrofotografia para produzir as 26 imagens, 11 delas inéditas, que compõem a mostra. A técnica fotográfica, associada ao chamado "splash", permitiu a captura no exato momento em que uma gota d'água reflete uma imagem ou se choca com uma superfície.


Assim, as obras trazem ao expectador detalhes despercebido, seja por ser milimétricos ou por ocorrer em uma pequena fração de segundos.

  
Segundo Béatrice de Toledo Dupuy, a gerente da Veolia Water, patrocinadora da mostra, a exposição objetiva ainda alertar a sociedade para o consumo consciente de água.


"Uma pessoa precisa, em média, de 50 litros de água por dia para viver. No Brasil, consumimos diariamente cerca de 180 litros. No dia a dia são as pequenas coisas que podem se transformar em grandes prejuízos", afirma.


Estudantes catarinenses constroem espaço de leitura com garrafas PET



Toda a estrutura da sala possui vigas de alvenaria para sustentação, a cobertura foi feita com telhas de fibrocimento e para as paredes foram utilizadas garrafas PET. | Fotos: Divulgação


Voluntários da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina, construíram uma sala de leitura somente com materiais reciclados. O espaço foi desenvolvido na Escola Básica Maria Dutra Gomes, no bairro Dom Bosco.


Toda a estrutura da sala possui vigas de alvenaria para sustentação, a cobertura foi feita com telhas de fibrocimento e para as paredes foram utilizadas garrafas PET. O telhado também foi revestido com caixinhas de leite para garantir o conforto térmico.

Participaram do projeto, aproximadamente, 300 acadêmicos da Univali, alunos, pais e mais de cem voluntários da comunidade que juntos construíram o espaço de 20 metros quadrados, batizado de Sala para Ecoformação da Comunidade Escolar.


Ao todo foram utilizadas mais de quatro mil garrafas PET no projeto. Além da parede, elas foram usadas para fazer bancos e também transformadas em brinquedos pedagógicos.


“Os alunos fizeram parte de todo o processo, arrecadando os materiais, ajudando na separação do lixo reciclado e também na própria construção da casa que ocorreu nos finais de semana”, contou a Diretora da Escola, Maria Claudete Pianezzer.

De acordo com a professora Inês Ardigó, a iniciativa partiu da formanda em Engenharia Ambiental, Tábata Sevegnani Biluk. Inês é a coordenadora do projeto de extensão Interação Univali e Escolas.

O projeto da estudante integra uma série de outras atividades de educação ambiental desenvolvidas na escola. “Estou bem orgulhosa com a finalização da sala, e saber que um sonho meu também serviu de inspiração e motivação para que ele se tornasse realidade”, afirmou Tábata, em seu blog


Com informações da Revista Globo Rural.

Fonte: CicloVivo

Chineses podem parar de usar hashis por escassez de árvores



O cerco fechou não só para a indústria de hashis da China, mas também para boa parte da população. | Foto: absentmindedprof/Flickr

Faz tempo que o hábito de comer com um par de palitinhos está ameaçando as florestas da China. No país oriental, as autoridades públicas já pedem para a população substituir os hashis por garfo e faca, uma vez que são derrubadas cerca de 20 milhões de árvores por ano para produzir os tradicionais talheres descartáveis.

O cerco fechou não só para a indústria de hashis da China, mas também para boa parte da população, que joga no lixo cerca de 80 milhões de pares de palitinhos por ano. “Temos que mudar nossos hábitos de consumo”, diz Bai Guangxin, presidente do Grupo de Indústria Florestal de Jilin.

Para enfrentar o problema, Guangxin lembra que, em 2006, o governo chinês começou a adotar medidas de restrição à fabricação dos hashis – instituindo, no mesmo ano, um imposto de 5% para a indústria dos palitinhos.

Em 2009, o presidente da China anunciou que o país tem planos para aumentar sua área florestal em 40 milhões de hectares até 2020 – e que a fabricação de hashis era uma das maiores vilãs para o desenvolvimento sustentável das florestas chinesas. Contudo, o país é o maior importador de madeira no mundo.

Com informações do InHabitat.

Fonte: CicloVivo

Peugeot lança bicicleta híbrida com patinete



A Peugeot garantiu que entregará as primeiras 300 unidades ainda em junho deste ano. | Foto: Divulgação

Com o intuito de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte, a cidade de Bordeaux, na França, resolveu abrir espaço para que a população sugerisse o modelo ideal de uma bicicleta urbana. O responsável por transformar os desejos em realidade foi o designer Philippe Starck.

O francês já possui vasta experiência em desenvolver modelos de carro para a marca Peugeot e agora embarcou em um novo desafio. O resultado foi uma bike chamada de Pibal, uma mescla entre bicicleta e patinete.

O modelo permite que os ciclistas pedalem normalmente, mas também oferece a opção de ser empurrado pelos pés do usuário em casos de tráfego mais pesado, quando o ciclista se sente mais seguro na calçada.

O quadro da bicicleta é feito em alumínio, que garante leveza, e os pneus são amarelos, para aumentar a visibilidade e segurança. Além disso, ela é equipada com rack traseiro para a instalação de alforjes.

A Peugeot, empresa responsável pela fabricação do modelo, garantiu que entregará as primeiras 300 unidades ainda em junho deste ano. Elas serão disponibilizadas gratuitamente para que a população local se familiarize com o meio de transporte. 

Com informações do Dezeen.

Fonte: CicloVivo

Aprenda a fazer um mural de fotos com materiais reutilizados



A ideia é reaproveitar materiais de forma criativa e personalizada para fazer um mural de fotos l Fotos: Talia Christine


Redecorar um espaço depende mais de boas ideias do que de um investimento financeiro alto. Isto porque usando objetos da própria casa é possível criar ambientes personalizados e agradáveis. Como, por exemplo, fazer decoração com velhas molduras.


Com a popularização das máquinas digitais, os quadros para emoldurar fotografias estão caindo no esquecimento. Muitos não revelam mais suas fotos e deixaram as molduras de lado. Porém, com a dica da blogueira TaliaChristine, dá vontade de expor fotos novamente. A ideia é reaproveitar materiais de forma criativa e personalizada para fazer um mural.


Material

  • Moldura antiga (você também pode reutilizar algum tipo de madeira para fazer uma moldura nova);
  • Cordões de couro (podem ser substituídos por barbante, arame ou cordão de sisal);
  • Pregadores de roupa; régua, lápis; pregos e martelo.


Método

Meça a moldura com a ajuda de uma régua e divida-a em partes iguais. Marque com um lápis. Faça a mesma coisa na outra lateral. Você deve deixar o espaço maior que o tamanho das fotos que for pendurar. Caso a moldura seja retangular, lembre-se de escolher qual será seu melhor sentido, horizontal ou vertical.

Após ter marcados os pontos, bata os pregos com a ajuda de um martelo. Depois é só passar o cordão, como se fossem varais e pendurar as fotos com a ajuda de pregadores de roupas. A ideia é simples, fácil de fazer e muito original.

No caso da blogueira, ela utilizou fotos Polaroid, que deram um toque mais charmoso à peça. Você também pode usar a ideia para pendurar bilhetes ou cartões postais.



Fonte: CicloVivo

quinta-feira, 14 de março de 2013

Estudantes pernambucanos de 17 anos criam tijolo de bagaço de cana


Os estudantes Willians Francisco da Rocha e Anna Rebeca Fonseca, ambos de 17 anos, criaram um tijolo feito de bagaço de cana de açúcar e argila vermelha. O material ecológico desenvolvido na cidade de Camaragibe possui as mesmas propriedades da versão convencional, com a vantagem de ser mais barato e sustentável.

O objetivo dos criadores não só era desenvolver um novo material de construção ecológico, mas também arrumar um destino para o excesso de lixo que os vendedores de cana-de-açúcar deixavam nas ruas da cidade pernambucana. Assim, a equipe coletou os resíduos e conseguiu fazer um tijolo apenas com bagaço e argila, matéria-prima abundante na região em que vivem.

Willians falou sobre a composição do tijolo e explicou porque o material não agride o meio ambiente. “Nosso tijolo tem a mesma durabilidade do convencional. A grande diferença é que não utilizamos terra preta, cuja extração polui os rios, e aproveitamos o bagaço da cana, que é muito descartado em Camaragibe”, revelou o estudante ao G1.

Vale lembrar que as construções com tijolos ecológicos estão liberadas no país, uma vez que o material é normatizado e possui certificação pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O tijolo de cana, criado pelos jovens estudantes, têm o custo de produção mais barato que os convencionais, mas ainda não há informações sobre quando a inovação chega ao mercado.

O material foi apresentado durante a 11ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que terminou nesta quinta-feira (14), no campus da Escola Politécnica da USP. O evento apresenta as principais inovações desenvolvidas por alunos das escolas públicas de todo o Brasil, com soluções voltadas para sustentabilidade, saúde e inclusão social.

Dentre as invenções expostas na feira, destacam-se um copo biodegradável comestível e um tênis que conta com um mecanismo capaz de gerar eletricidade.  

Fonte: Ciclo Vivo 

Monsanto e ONG Conservação Internacional trabalham em prol da preservação ambiental


O programa Produzir e Conservar, fruto de uma parceria entre a Monsanto e a ONG Conservação Internacional (CI-Brasil), chega ao seu quarto ano com a consolidação das ações de conservação desenvolvidas nos corredores de biodiversidade do Jalapão-Oeste da Bahia (Cerrado) e do Nordeste (Mata Atlântica).

Essas regiões foram escolhidas por representarem porções de elevada diversidade biológica e receberão investimento total de US$ 13 milhões (2008-2013). “O Cerrado é um bioma com a fronteira agrícola em expansão e a Mata Atlântica, segundo dados do IBGE, possui hoje apenas 7% de remanescente de sua vegetação original. Esses dois fatores configuram ambos territórios como desafiadores do ponto de vista da dinâmica socioeconômica e da busca pela sustentabilidade”, explica Daniela Mariuzzo, gerente de Sustentabilidade da Monsanto.

Os recursos do programa são empregados em ações que visam combater o desmatamento ilegal, incentivam os produtores rurais a cumprirem a legislação ambiental e promovem a recuperação de áreas degradadas. O Produzir e Conservar também apoia a ampliação do conhecimento sobre a biodiversidade existente nas áreas-alvo e a criação de unidades de conservação, com o objetivo de proteger espécies ameaçadas e consolidar os corredores de biodiversidade.

A parceria promove, ainda, a disseminação de informações sobre adequação e regularização ambiental das propriedades em relação à vegetação nativa, a sensibilização e a capacitação de atores locais, formadores de opinião, educadores e lideranças rurais.

No Corredor de Biodiversidade do Jalapão-Oeste da Bahia a principal ação desenvolvida foi a recuperação do município de Luís Eduardo Magalhães. A campanha, chamada de LEM APP 100%, contou com o apoio técnico aos proprietários rurais, com o intuito de reduzir o impacto da produção e adequá-las às legislações ambientais brasileiras.

Na área de Mata Atlântica, onde está o Corredor de Biodiversidade do Nordeste, o principal foco dos trabalhos foi a substituição dos fogões de barro por modelos mais eficientes. Somente na primeira fase do projeto 80 famílias de baixa renda foram beneficiadas e as emissões geradas pelos fogões foram reduzidas em 50%, assim como a utilização de lenha.

Além dessas ações a parceria oferece outros projetos de apoio e conscientização da comunidade local, para ajudar na preservação ambiental e a elevar a qualidade de vida.

Fonte: Ciclo Vivo 

Domesticação de animais exóticos colabora para extinção


O gosto por domesticar animais exóticos tem contribuído para a extinção de diversas espécies. Representantes de 178 países, que compõem a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestre, se reuniram em Bangcoc para debater estratégias de combate ao comércio ilegal de animais.

De acordo com os ambientalistas presentes no evento, os animais exóticos têm sido negociados por colecionadores. Entre as espécies ameaçadas em consequência dessa prática estão tartarugas, anfíbios, macacos, felinos, entre outros.

Uma das estratégias para inibir a prática é o aumento na fiscalização e a intensificação na proteção das diversas espécies. Isso foi feito com as tartarugas, por exemplo. No entanto, a intensificação atinge apenas algumas dezenas delas, mesmo que existam mais de 300 espécies de tartarugas, que quanto mais raras, mais valor têm para o comércio ilegal.

“Vemos casuarídeos, que são aves naturais da Austrália e Nova Guiné de 1,5 metro de altura, que podem dar patadas e matar uma pessoa. Vemos também serpentes venenosas do mundo inteiro. Não entendo o desejo de possuir um animal que pode matar”, explicou Chris Shepherd, da ONG Traffic, em declaração à agência AFP.

Os ambientalistas explicam que o problema vai além dos animais comercializados. A captura de um animal representa a morte de outros dez exemplares de sua espécie, conforme informado pelos especialistas. Um dos problemas é o incentivo midiático a essa domesticação de animais exóticos. A presença de macacos e outras espécies em programas televisivos acaba se tornando um exemplo para outras pessoas.

Fonte: Ciclo Vivo 

Entrevista com o Presidente da ABES-SP Alceu Guerios Bittencourt à Rádio Gazeta AM


O presidente da ABES-Seção São Paulo, Alceu Guerios Bittencourt falou sobre a problemática das enchentes e sua relação com o planejamento urbano, em entrevista à Rádio Gazeta AM, no começo deste mês (1º de Março).

Assista à entrevista na integra, no vídeo a seguir: 




A graça de trabalhar de graça


O volume de candidatos a uma vaga de voluntário em um dos megaeventos com sede no Brasil indica que pode vir a se disseminar aqui um hábito que está no DNA de outros países: doar o tempo em prol do bem comum

Reportagem de Gabriele Jimenez e Vanessa Cabral (Revista Veja)


Nas últimas semanas, mais de 250 000 brasileiros passaram boa parte do tempo na frente do computador, dormindo pouco e digitando muito. Trata-se do pontapé inicial no gigantesco processo de seleção em que meio milhão de pessoas vão disputar 200 000 cobiçadíssimos postos de trabalho ao longo dos próximos três anos. Tudo isso para não receber um tostão. O que atrai essa gente toda é a chance de pendurar um crachá de voluntário de um (dois, três) dos megaeventos internacionais com sede no Brasil. O volume de candidatos nas duas seleções prestes a ser encerradas - a da Copa das Confederações, em junho, e a da Jornada Mundial da Juventude, em julho - é indício de que pode vir a se disseminar no Brasil um hábito que está no DNA da população de muitos outros países: o de doar seus préstimos onde quer que se façam necessários. É verdade que a turma atual, em boa parte neófita no ramo, deseja mais do que tudo respirar o mesmo ar de seu ídolo e ingressar numa tribo globalizada que coleciona tantos broches quantos carimbos no passaporte.

Mas na natureza até do trabalho voluntário mais inconsequente está embutido o germe da contribuição pessoal desinteressada, um tipo de atitude a ser cultivada em uma sociedade. "A formação de uma tropa de voluntários é um dos mais excepcionais legados das grandes competições para um país", diz o australiano Craig McClatchey, um dos maiores especialistas em gestão de eventos esportivos.

VEJA ouviu uma leva dos já aprovados, em sua maioria gente que nos últimos anos se acostumou a pular de evento em evento mundo afora, fazendo de graça todo tipo de serviço (inclui-se aí faxinar vestiários e lavar pratos) em troca de conhecer novas culturas, aprender idiomas, engatar amizades e formar uma rede de contatos global. Embora a Fifa (que já iniciou a peneira para a Copa de 2014) e o Comitê Olímpico (que começará o recrutamento para os jogos de 2016 no ano que vem) insistam na tecla de que favorecem a diversidade e todos têm chance, é sabido que esses já iniciados largam com boa vantagem. O processo de seleção - que, como nos grandes concursos, se baseia em testes de conhecimento e dinâmicas de grupo - já funciona como treinamento, familiarizando os candidatos com a enciclopédia das Copas e com o básico sobre o funcionamento de um estádio. Logo eles são introduzidos a um mandamento sagrado na bíblia do voluntariado esportivo: se a sorte se anunciar e você estiver lado a lado com seu ídolo, DISCRIÇÃO (com letras maiúsculas mesmo) é a palavra-chave.

Integrante do rol dos veteranos, o professor carioca Anderson Lopes, 34 anos, já recebeu não apenas um, mas dois daqueles chamados pelos quais tanta gente aguarda: ele foi aprovado nas seleções da Copa das Conferederações e da Jornada Mundial da Juventude. "É uma chance única de mostrar o Brasil aos outros e ao mesmo tempo estar nos bastidores", diz o entusiasmado professor, que, dono de inglês fluente, virou uma espécie de faz-tudo de atletas estrangeiros durante os Jogos Pan-Americanos de 2007. A ideia de se inscrever no encontro de jovens católicos no Rio ele teve quando foi à edição de Colônia, na Alemanha, em 2005, e esbarrou com voluntários aos milhares. No Rio, Anderson se juntará a outros 65 000, turma que se move na esperança de ver o novo papa de perto - uns poucos serão até recrutados para ficar no entorno da comitiva do pontífice - e estar em meio a uma tribo internacional que se aproxima na idade e no modo de pensar. Mais de 10 000 desses voluntários são estrangeiros - caso do economista espanhol José Marqués, 22 anos, escolado em Jornadas. Ele já está a toda no Rio, envolvido na área de finanças. "Estou literalmente no paraíso", brinca em bom português. O que espera do encontro? "Será um momento para desfrutar essa boa energia carioca."

O contato entre os voluntários extrapola, e muito, o tema e o lugar dos eventos dos quais tomam parte. Eles não só se juntam em redes sociais na internet como se veem em toda parte. "Tenho amigos e casas no mundo inteiro", diz a publicitária mineira Paula Modenesi, 22 anos. Aos 19, ela trabalhou na Copa da África do Sul, onde se hospedou numa casa com outros dezessete colegas de voluntariado de diferentes países. Seu grande momento: serviu de intérprete na coletiva da seleção brasileira depois do fatídico jogo que a eliminou, nas quartas de final. "Fiquei impressionada com o estado do goleiro Júlio César. Parecia que ele se culpava pela derrota", lembra. Preparando-se para atuar na Copa das Confederações, Paula já marcou férias para junho e ajeita a casa - onde exibe, ciosa, sua coleção de pins e credenciais - para receber amigos estrangeiros que se voluntariaram para as Copas no Brasil. Os que vêm de fora são a minoria: menos de 5% do total de candidatos nos eventos esportivos.

Todos esses jovens não apenas não recebem como pagam - bilhete aéreo, hospedagem, alimentação - para ter direito ao tão almejado crachá. Mas acumulam experiência que pode dar um verniz decisivo ao currículo. Em países com tradição de voluntariado, como os Estados Unidos, até a admissão em universidades de alto prestígio pode ser facilitada - atenção: tanto para americanos quanto para estrangeiros - por uma boa vivência de doação do tempo. "Um trabalho voluntário enriquecedor é um item valorizado no processo de seleção de novos alunos", diz Jason Dyett, diretor do escritório da Universidade Harvard em São Paulo.

Não é raro também que voluntários com mais iniciativa sejam absorvidos pela engrenagem oficial e saiam com emprego remunerado. A catarinense Diana Maes, 28 anos, concluiu uma pós-graduação em marketing esportivo, economizou 4 000 reais e se tornou voluntária do setor de marketing da Fifa em Johannesburgo - tudo de caso pensado. "Vi aquilo como um investimento", conta. Assim que voltou ao Brasil, conseguiu uma vaga na área de projetos esportivos de um patrocinador. Em novembro, mudou de emprego: atualmente cuida do treinamento dos gerentes dos escritórios do Comitê Organizador Local da Fifa localizados nas cidades-sede da Copa do Mundo.

Do lado dos empregadores, o benefício financeiro é bem concreto e essencial. Calcula-se que na Copa do Mundo, em que o orçamento total beira os 900 milhões de reais, a Fifa fará com seus 15 000 voluntários uma economia de 50 milhões de reais. "Sem o voluntariado, um evento desse porte seria impagável", afirma o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, lembrando a origem da atividade no Brasil: os 38 000 homens que se alistaram, por vontade própria, para combater na Guerra do Paraguai (1864-1870), imortalizados em placas de rua como os Voluntários da Pátria. O australiano Craig McClatchey ainda reforça que não se está falando de mão de obra qualquer. "Em geral, são jovens entusiasmados e orgulhosos do que estão fazendo, daí a alta produtividade", observa. A relevância da atitude dos voluntários ficou evidente na Olimpíada de Londres, no ano passado, que virou modelo a ser seguido por causa do cronograma impecável, da organização eficiente - e da atuação de seus 70 000 funcionários não pagos, elogiadíssimos pela simpatia, pela vontade de ajudar e pelas respostas acertadas.

Nos megaeventos esportivos, os voluntários vão atuar em postos médicos, centros de imprensa e bilheterias, administrar a agenda e as idas e vindas das seleções. A eles se juntarão os aprovados no Brasil Solidário, programa federal que cuida da seleção da legião mais visível: a dos que prestam informação diretamente ao público em aeroportos, estádios e pontos turísticos (50 000 dessas vagas começarão a ser preenchidas a partir de junho). A descrição dos postos de trabalho joga uma piscina de água fria nos esperançosos candidatos: o trabalho, em geral, não tem glamour. Se assistir a um jogo ao vivo é difícil, chegar perto dos ídolos é mais ainda. Há incumbências mortalmente entediantes. "No Pan de 2007, me puseram para cuidar da tecnologia na arena de basquete. A gente checava se tinha papel nas impressoras e depois ficava lá, parado, esperando alguém precisar de ajuda. Ninguém precisou", relata Taís dos Santos, 24 anos, estudante de química em Valinhos, no interior de São Paulo. Ela desanimou? Que nada - já está em contagem regressiva para a Copa das Confederações. Alguns acabam aprendendo a pegar no pesado. "Depois que comecei minha carreira de voluntário, passei a achar natural fazer a faxina da casa", diz o publicitário Jadson Almeida, 33 anos, de São Paulo, que financia as viagens com a venda on-line de artesanato africano - negócio que foi adiante justamente com a ajuda das amizades seladas na Copa de 2010.

As mazelas do ofício não são um fardo para as centenas de milhares de pessoas motivadas e cheias de expectativas que estão contando os dias para começar a festa de 2013, a de 2014 e a de 2016. Parafraseando adeptos de exageros, só que com base na crua realidade dos números: é voluntário como nunca se viu na história deste país. Nesse grupo, pouca gente tem tão sérias intenções quanto a paranaense Nicolle Oliveira, 19 anos, que estuda gestão ambiental e, toda engajada, está em busca de experiência na área. Nicolle foi voluntária na Rio+20, a grande conferência sobre meio ambiente, tem trabalho já engatilhado na gestão de resíduos de comunidades indígenas na Colômbia e quer atuar na Copa das Confederações para ajudar na "conscientização ambiental do público" - termo que em "voluntariês" significa reciclar. A maior parte tem objetivos menos meritórios e mais alinhados com as prioridades do paulista Rodrigo Colucci, 28 anos, fanático por futebol. Elas são: 1) assistir a um jogo, "qualquer jogo"; e 2) aumentar sua coleção de 700 camisetas de times e eventos esportivos. "As próximas vão ser as das duas Copas aqui", sonha. Independentemente da seriedade das intenções de cada um, é certo que uma multidão de brasileiros terá a chance de tomar consciência de que trabalho voluntário é também doar um pouco de si pelo bem comum - um conceito que, se pegar, vai fazer muito bem ao Brasil.

EM JARGÃO ENGAJADO
Estudante de gestão ambiental, a paranaense Nicolle Oliveira, 19 anos, enxerga além dos gramados. Ela quer trabalhar na Copa das Confederações para ajudar na "conscientização ambiental do público". Traduzindo: martelará a ideia da reciclagem. "Vai ajudar na minha formação", aposta Nicolle, que já foi voluntária na Rio+20.

Ele até viu a cor do gramado
O publicitário Jadson Almeida, 33 anos, de São Paulo, teve um momento de grande emoção como voluntário da Eurocopa de 2012, na Polônia. Ele conseguiu ficar cara a cara com seus ídolos da seleção espanhola e até recebeu sorrisos e acenos do time. "O crachá de voluntário lhe dá acesso a bastidores que os outros não têm", diz o veterano, que vai repetir a dose no Brasil.

Casa no mundo todo
A publicitária mineira Paula Modenesi, 22 anos, é integrante de uma tribo de voluntários que vive conectada. "Tenho onde ficar em qualquer canto do globo", diz. Ela retribuirá a hospitalidade recebendo em sua casa uma turma de estrangeiros que vem ao Brasil doar seus préstimos na Copa das Confederações.

Ela saiu empregada
Com uma pós-graduação em marketing esportivo, a catarinense Diana Maes, 28 anos, raspou as economias para estrear como voluntária na Copa da África do Sul. Tinha um objetivo: atuar no setor de marketing da Fifa. Acabou arranjando emprego remunerado. "Hoje comando o treinamento dos gerentes dos escritórios da Fifa localizados nas cidades-sede da Copa", diz.

Dose dupla
O professor carioca Anderson Lopes, 34 anos, será voluntário na Copa das Confederações e na Jornada Mundial da Juventude. Veterano, no Pan de 2007 ele era uma espécie de faz-tudo e ciceroneava atletas estrangeiros no Rio. "Levei uns cubanos para o mercado e eles se espantaram com a quantidade de marcas de sabonete", lembra Anderson, que adora esse "choque de culturas".

MANUAL DO CANDIDATO
Um grupo de veteranos ouvido por VEJA dá dicas que podem aumentar as chances dos novatos na briga por uma vaga de voluntário nas próximas seleções para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016

1. Ao se inscrever, dê preferência a cidades menos procuradas, como Brasília e Manaus. A concorrência dispara no circuito São Paulo-Rio de Janeiro
2. Antes de se candidatar a vagas longe de casa, arranje acomodação e enfatize isso. Ter onde ficar conta ponto na seleção
3. Mostre que encara o trabalho voluntário com muita responsabilidade. Comece cumprindo prazos e sendo pontual no dia da entrevista
4. Nos formulários e na entrevista, não minta nem enfeite a verdade
5. Programe-se para ter o dia inteiro livre durante toda a duração do evento e, na etapa de seleção, deixe bem clara essa disponibilidade. O turismo fica para depois
6. Saber trabalhar em grupo é fundamental. Nas respostas, use sempre "nós" em vez de "eu"

Fonte: Planeta Sustentável