sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Quem se importa com saneamento?

O jornalista Washington Novaes, um dos mais respeitados nomes da sustentabilidade em nosso país e que coordenou o talk show de abertura do 27º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, promovido pela ABES em Goiânia, entre os dias 15 e 19 de setembro, lamenta, em artigo publicado no dia 26 de setembro no Jornal O Popular, que o tema Saneamento ainda tenha menos importância do que deveria em nosso país. “Um dos documentos básicos do Congresso lembra que nada menos de 44% da população brasileira não têm acesso à rede de esgotos e 7% não recebem água tratada. Ou seja, 88 milhões de pessoas não têm suas residências conectadas às redes de esgotos (6,6 milhões nem sequer têm banheiros domésticos). E quase 15 milhões não recebem em casa água tratada. E, calamitoso, precisamos lembrar ainda que menos de 30% dos municípios tratam de alguma forma seus esgotos; o restante é despejado em cursos d’água e é a maior causa de poluição hídrica, segundo a Agência Nacional de Águas.”
É lamentável que o 27º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, realizado em Goiânia na semana passada, não tenha tido cobertura ampla da chamada mídia nacional. Os temas, as informações apresentadas, as propostas para os gravíssimos problemas do setor passaram ao largo do interesse – e sua discussão pela sociedade seria muito relevante e poderia conduzir a transformações já muito urgentes.
 Um dos documentos básicos do Congresso lembra que nada menos de 44% da população brasileira não têm acesso à rede de esgotos e 7% não recebem água tratada. Ou seja, 88 milhões de pessoas não têm suas residências conectadas às redes de esgotos (6,6 milhões nem sequer têm banheiros domésticos). E quase 15 milhões não recebem em casa água tratada. E, calamitoso, precisamos lembrar ainda que menos de 30% dos municípios tratam de alguma forma seus esgotos; o restante é despejado em cursos d’água e é a maior causa de poluição hídrica, segundo a Agência Nacional de Águas.
 Também muito grave é que a coleta de esgotos, segundo o Pnad, entre 2001 e 2011 só aumentou 11%, enquanto a telefonia passou de 58% para 91% da população. E é melhor nem falar em esgotos na zona rural – segundo a ONU, situação pior que no Sudão, no Timor Leste, no Afeganistão.
 Também aflige a perspectiva traçada pelos documentos do congresso: seria preciso investir R$ 304 bilhões para “universalizar” os serviços de esgotos e água no País até 2033 (ou R$ 20 bilhões por ano) – mas estamos extremamente distantes disso. Há intenções em papéis, orçamentos, planos etc. que falam em valor médio nos últimos orçamentos de R$10 bilhões – mas há documentos que dizem haverem sido aplicados em 2012 apenas R$ 3,5 bilhões dos R$ 16,1 bilhões orçados. Mesmo admitindo o “valor médio” e sua continuação, a “universalização” só correrá em 2053, daqui a 40 anos. Falta dinheiro, como faltam profissionais suficientes. E menos de 10% dos municípios apresentaram no prazo, este ano, projetos para receber recursos federais – e sem eles nada será possível.
 Um dos temas mais mencionados nas discussões em Goiânia foi o das perdas de água nas redes subterrâneas que a levam aos domicílios – hoje calculadas em 37,4% do total, “número provavelmente subestimado”. São perdas por vazamentos, furos, até furtos – mas que têm dificuldade para serem reparadas, porque administradores preferem obras “novas”, como novos reservatórios, adutoras e estações de tratamento, estimulados pelas grandes empreiteiras (grandes financiadoras de campanhas eleitorais).
 É brutal a diferença de situação entre as várias regiões do País, já que o Sudeste tem 95% dos municípios com redes de coleta de esgotos, enquanto na região Norte elas estão em apenas 13,4%. O Nordeste tem mais (45,70%) que o Sul (39,7%) e o Centro-Oeste (28,3%). Há cidades importantes, como Belém, onde 89% dos esgotos correm a céu aberto pelas ruas. E o contato direto com a água poluída (5,8 bilhões de litros diários de esgotos despejados em todo o País), seja nesses caminhos, seja em rios ou córregos, responde por 60% das internações de crianças na rede pública hospitalar, assim como por 80% das consultas pediátricas. Para se ter ideia das dimensões do problema, são despejados sem tratamento os esgotos de 125 milhões de pessoas, cada uma delas gerando diariamente 200 gramas de matéria orgânica em suas fezes. E isso significa 25 mil toneladas por dia. A própria ONU adverte que em todo mundo são 2,5 bilhões de pessoas que não dispõem de redes de esgotos. E 1,1 bilhão delas “defecam a céu aberto”. A diarreia mata 750 mil crianças por ano.
 Na primeira sessão do Congresso, o governador de Goiás salientou avanços no Estado de 1999 para cá, quando se passou de “5 a 6 estações de tratamento de esgotos” para 61, das quais 10 estão em construção. Até o fim de ano que vem, disse ele, Goiânia coletará e tratará mais de 90% de seus esgotos, com recursos do PAC. Na área de resíduos sólidos (lixo) destacou o recente convênio com o governo do Distrito Federal, para implantar um consórcio de 10 municípios (1,5 milhão de pessoas) que viabilize solução para o problema grave na periferia de Brasília. Também destacou a decisão de proteger todas as nascentes de água no Cerrado goiano e impedir qualquer desmatamento no bioma.
 Estes últimos pontos também foram destacados pelo secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Leonardo Vilela, segundo quem até até o final de 2015 estarão implantados comitês de gestão em todas as bacias hidrográficas do Estado – que poderão cobrar por todos os usos de água. Ele também enfatizou que Goiânia tem um dos menores índices de perda de água entre as cidades brasileiras, em torno de 23%.
 Um dos pontos enfatizados pelos vários conferencistas foi o da “inadequação” das atuais tarifas de saneamento em toda parte: “embora insuficientes, já são caras para a população mais pobre e favorecem o desperdício entre as de maior renda”. Outro foi de já existirem tecnologias mais modernas que permitiriam um avanço rápido e importante para o saneamento.
 Pena que a comunicação nacional não tenha dado ouvidos ao que se discutiu em vários grupos no congresso. É preciso fazer chegar às várias instâncias do poder a dramaticidade das situações e a possibilidade de resolvê-las de imediato.

Texto publicado no jornal " O Popular" no dia 26 de Setembro.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Casca de banana poderá ser usada para descontaminação da água

Imagem: SXC.HU

Uma pesquisa do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, identificou a potencialidade da casca de banana na descontaminação de águas poluídas pelos agrotóxicos atrazina e ametrina, utilizados em plantações de cana-de-açúcar e milho.
Em amostras coletadas nos rios Piracicaba e Capivari e na estação de tratamento de água de Piracicaba, as águas contaminadas ficaram livres dos princípios ativos após o tratamento, para o qual as cascas de banana são trituradas e peneiradas após serem secas em forno a 60ºC.

Os pesquisadores defendem que o uso da casca de banana apresenta vantagem sobre outros métodos (como remediações térmicas, químicas ou físicas) que não demonstram a mesma eficiência na remoção de resíduos de agrotóxicos a ponto de tornar a água potável para consumo humano.

A casca da banana apresenta grande capacidade de adsorção de metais pesados e compostos orgânicos principalmente devido à presença de grupos hidroxila e carboxila da pectina em sua composição. Esse tipo de remediação poderá ser utilizada, principalmente, para tratamento de água de abastecimento público provenientes de regiões com intensa prática agrícola, como Ribeirão Preto e Piracicaba.

Fonte: Agência USP

Como detectar vazamentos

No Brasil, o desperdício de água causado por vazamentos ou ligações clandestinas atinge cerca de 45% da água tratada, quantidade suficiente para abastecer 35 milhões de habitantes em um ano.

Uma pequena perfuração de dois milímetros na tubulação pode ser imperceptível, porém a quantidade de água desperdiçada chega a 3,2 litros em um dia. Quando há vazamentos nas torneiras ou chuveiro, uma gota pingando continuamente é capaz de gastar 46 litros por dia.

Sempre que as torneiras e chuveiros estiverem fechados e o hidrômetro continuar girando, significa que existe água passando por ele, portanto  existe vazamento. Há algumas técnicas indicas pela Sabesp para descobri-los.

  • De madrugada a pressão da tubulação é maior, e vazamentos podem ocorrer nestes horários. Deixe os registros abertos, feche bem todas as torneiras, desligue os aparelhos que usam água e não utilize os sanitários. Anote os números pretos e vermelhos que aparecem no hidrômetro e, no dia seguinte, antes de usar a água, verifique se os números continuam os mesmos.
  • É possível testar vazamentos da torneira utilizando um copo cheio de água, colocando-o na boca da torneira com o registro de entrada fechado. Se houver sucção da água contida no copo pela torneira, é um sinal que existe algum vazamento interno.
  • Nos vasos sanitários, retire toda a água e seque-o. Não utilize durante meia hora. Se surgir água no vaso, está havendo vazamento pela válvula ou pela caixa da descarga.


Vamos nos mobilizar para acabar com o desperdício de água e fazer os testes para verificar se existem vazamentos nas nossas casas. Ao detectar um vazamento em sua residência, entre em contato com um encanador.  Se o vazamento for na rua, fale com a companhia de abastecimento da região para que solucionem o problema o mais rápido possível.
   



Fonte:


Hotel sustentável com telhado verde aproveita até água da chuva nos chuveiros


Água da chuva aproveitada no chuveiro e nas descargas, telhado verde e até um sistema de reciclagem de papel higiênico e sabonetes: estas são apenas algumas das ações do Aloft Bogotá Airport, considerado o hotel mais sustentável da América Latina. Em viagem exclusiva para a Colômbia, o Portal CicloVivo conversou com Anamaria Escobar, arquiteta responsável pelo projeto, instalado nas proximidades do aeroporto e do centro comercial de Bogotá, considerada exemplo de desenvolvimento sustentável no mundo inteiro. 

A sustentabilidade está por todos os cantos do hotel, o primeiro a receber a certificação LEED Gold na América Latina. Baseado nos padrões e conceitos mais recentes de arquitetura verde, o Aloft foi erguido com 15% dos materiais reciclados, e as tintas que cobrem as paredes da estrutura foram produzidas somente com materiais orgânicos. O ar condicionado, um dos objetos mais polêmicos na maioria das construções, funciona com própria água que produz.
  
 
A arquiteta responsável pelo projeto explica que a água quente que cai dos chuveiros e a calefação dependem do calor excedente gerado pelo sistema de computadores do hotel, reduzindo, significativamente, os gastos com energia elétrica. “Na parte superior, o telhado cinzento foi trocado por um jardim, no qual foram plantados vegetais que não precisam ser regados”, diz Anamaria. A parte de cima também fica responsável pela captação das águas pluviais e pela regulação das temperaturas do hotel, que faz parte do grupo Starwood, ao qual também pertence o Sheraton.

O hotel dissemina o consumo consciente por meio da ação Greenchoice – um esforço para estimular hóspedes e funcionários a colaborarem com a economia de gastos gerais, reduzindo, por exemplo, a quantidade de trocas de roupas de cama e banho, que não precisam ser trocadas e lavadas diariamente. Com esta iniciativa, o Aloft pretende diminuir em até 20% os gastos totais com água, e 30% com eletricidade.



O reaproveitamento de materiais também é uma das bandeiras levantadas pelo hotel mais sustentável da América Latina. “Doamos sabonetes e sobras de papel higiênico à instituição Planeta Amor, que cuida de crianças com AIDS. Lá, eles reaproveitam estes resíduos”, contou à reportagem a gerente geral do hotel, Marilia Pergola.

Uma das preocupações do Aloft Bogotá Airport é atender a vários perfis de hóspedes, não só empreendedores, como também turistas que chegam à capital colombiana: assim, além de um centro de negócios, bares e espaços de convivência, o hotel também oferece recreação familiar e até mesmo quartos inclusivos para animais de estimação. O projeto também possui várias adaptações para portadores de necessidades especiais, como rotas acessíveis, alarmes visuais de incêndio e modificações nos quartos.


Fonte: CicloVivo

"Rio mais poluído do País, Tietê é também o mais rico e populoso"

Comparado ao tamanho dos rios amazônicos, o Tietê é um regato. Nas estatísticas, porém, é uma catarata de superlativos. Estudo inédito do Estadão Dados mostra que o Tietê e seus afluentes formam a bacia hidrográfica mais populosa, mais rica e mais poluída do Brasil. É também a de maior desenvolvimento humano do País.

A produção da bacia do Tietê soma R$ 1 trilhão por ano. A cada R$ 4 do PIB brasileiro em 2010, R$ 1 saiu do entorno do rio e de seus tributários. Às suas margens ou perto delas moram 30 milhões de pessoas, a maior população ribeirinha do País, com médias de 10,6 anos de estudo e 75,3 anos de vida.

O Rio Tietê - cujo dia foi comemorado no último domingo (22) - nasce acima dos mil metros de altitude, nas encostas da Serra do Mar, em Salesópolis, a leste da capital. Corre 1.136 quilômetros para o interior, por 73 municípios paulistas. Deságua no Rio Paraná, entre Itapura e Castilhos, 300 metros acima do nível do mar. São apenas 740 metros de desnível da nascente à foz, ou 1 metro de declive a cada quilômetro e meio de percurso, em média.

Mesmo assim, as quedas do Tietê são famosas desde antes dos bandeirantes. Uma das maiores cachoeiras era chamada pelos índios de utu-guaçu, ou salto grande. Acabou por batizar as cidades de Itu e Salto.

Para fugir desse trecho inicial tortuoso e cheio de corredeiras, a navegação rio abaixo entre os séculos 18 e 19 começava em Araritaguaba, atual Porto Feliz, com destino às minas de ouro de Cuiabá. Por só poderem ser feitas em parte do ano, no período de cheia do rio, as expedições eram chamadas de monções - como as navegações portuguesas pelo Índico.

As longas canoas eram escavadas em enormes troncos derrubados ao longo das margens do rio e seus afluentes, como o Piracicaba. Escavadas na madeira maciça, levavam mantimentos, ferramentas e escravos para as minas, e traziam ouro.

Hoje, a hidrovia Tietê-Paraná percorre 2,6 mil quilômetros e transporta 6 milhões de toneladas de cargas anualmente, entre insumos e grãos. Um comboio de seis barcaças carregadas tira 210 carretas das estradas, gastando um quarto do combustível e emitindo um terço da quantidade de carbono.

Na época das monções, as canoas demoravam semanas ou até meses para chegar ao Paraná. Entre outros motivos, porque tinham de ser carregadas por terra em varadouros como o do traiçoeiro salto do Avanhandava. O salto foi inundado nos anos 1980 pelo reservatório da usina de Nova Avanhandava.

Nenhum acidente natural resiste no trecho entre Conchas e a foz. Foi construída mais de uma dezena de barragens ao longo do maior rio paulista, para aproveitamento hidrelétrico. Em seu curso, o Tietê gera até 2 mil megawatts de energia.

Em Pereira Barreto, a cerca de 50 km da desembocadura, um canal desvia parte do Tietê para o Rio São José dos Dourados, que corre paralelo e na mesma direção. As águas canalizadas ao norte ajudam a girar as turbinas da hidrelétrica de Ilha Solteira, no Rio Paraná.

Desenvolvimento. O rio foi determinante na fundação da maior cidade do hemisfério sul e na ocupação do território ao seu redor. Nas últimas décadas o desenvolvimento se estendeu do alto ao baixo Tietê.

O IDH na sua bacia é 14% maior do que a média do Brasil. Porque a esperança de vida ao nascer é também mais alta: 75,3 anos. É bem diferente de 100 anos atrás, quando as margens e várzeas do Tietê eram evitadas pela população temerosa das enchentes e de doenças como a malária.

Na educação, a expectativa de anos de estudo na bacia do rio é 11% maior do que a média brasileira (9,5 anos). A desigualdade de renda é menor do que no resto do País. O índice de Gini ao longo do Tietê varia de 0,33 a 0,67 (quanto mais próximo de 1, mais desigual), mas, na média, esse valor é de apenas 0,44 - ou 27% menor do que a média do Brasil.

O desenvolvimento econômico e demográfico custou caro ao rio. A qualidade de suas águas, cristalinas em Salesópolis, torna-se apenas "boa" em Biritiba-Mirim, "razoável" em Mogi das Cruzes e "ruim" em Itaquaquecetuba.

Na confluência com o Rio Aricanduva, já em São Paulo, fica "péssima", e segue assim por mais 200 quilômetros, até o desemboque do Sorocaba, em Laranjal Paulista. A seguir vêm mais 130 quilômetros de água ruim. Ela só volta a ficar boa em Barra Bonita.

A degradação se deve ao despejo de efluentes industriais e de 595 bilhões de litros de esgoto doméstico não tratado todo ano no rio - 40% do total do Brasil. Só a capital é responsável por jogar 750 milhões de litros de esgoto em estado puro no Tietê diariamente.

Apesar disso, na maior parte de seu curso, o Tietê tem águas de boa qualidade. Em Araçatuba, ela vai parar nas torneiras. Em Penápolis, abriga clubes de pesca de pacus e tucunarés.

Nos últimos 30 quilômetros antes de chegar à foz, no Rio Paraná, as águas do Tietê voltam a ter a mesma excelência dos primeiros 40 quilômetros de seu curso. Com pouca ajuda, o rio mais poluído do Brasil se recupera e termina tão limpo quanto começou.


Prefeituras investem em recuperação, mas é difícil acabar com 'mar' de lixo e espuma

"Parece neve, mas o cheiro é de esgoto", diz a estudante Jenifer Correa da Silva, de 13 anos, diante do mar de espuma que cobre o Rio Tietê logo abaixo da cachoeira de Salto, a 104 km de São Paulo.

Confiando na despoluição do rio, a prefeitura investiu na recuperação de antigos espaços turísticos, como a Ilha dos Amores e a centenária ponte pênsil, totalmente restaurada, e ainda instalou o Memorial do Rio Tietê para contar a história do principal rio paulista. "Faltou combinar com quem está rio acima, principalmente na Grande São Paulo, pois as águas chegam aqui tão carregadas de poluição que viram espuma", diz Gláucia Vecchi, monitora do memorial.

Ao longo dos 80 quilômetros entre Santana de Parnaíba e Porto Feliz, o rio continua tão poluído quanto há 20 anos, dizem os moradores. "A espuma até aumentou e tem dia que não dá para respirar", diz Monica Coelho, comerciante de Pirapora do Bom Jesus. Segundo ela, quando a Barragem do Rasgão libera água o manto branco cobre o rio. "Tem turista que até gosta, mas quem mora aqui não suporta mais."

O prefeito Gregório Rodrigues Maglio (PMDB) conta que, na década de 1980, quando havia passeios de barco no Tietê, a cidade recebia 10 mil turistas por fim de semana. "Hoje, o turismo está reduzido às romarias do Bom Jesus, mas não chega a um terço do que era." Maglio lidera um movimento para que as cidades atingidas pela poluição sejam indenizadas. "Pirapora deixou de crescer por causa da poluição."

O rio que passa quase morto em Pirapora do Bom Jesus agita-se nas corredeiras de Cabreúva e cria belos cenários ao cortar remanescentes de Mata Atlântica. "É o trecho mais bonito, mas não podemos explorar o turismo por causa da poluição", diz a secretária de Meio Ambiente, Rosemeire Rabelo Timporim. Na Jornada do Tietê, hoje, a cidade vai reafirmar a posição contra o projeto de instalação de pequenas centrais hidrelétricas nesse trecho do rio. O represamento, segundo Rosemeire, acabaria com as corredeiras, agravando a poluição.

A cidade de 42.301 habitantes trata 90% do esgoto. "Fizemos a lição de casa, mas estamos sendo castigados pela omissão dos outros", diz a secretária de Cabreúva.

O rio continua e passa por Salto. Lá, quando ocorrem enchentes, o campo de futebol da Associação Atlética Avenida fica coberto de lixo. O presidente do clube, João Wolf, de 74 anos, vê-se obrigado a contratar carregadeiras e caminhões para retirar toneladas de sujeira. "Ultimamente, estou mandando jogar de volta no rio, pois quem trouxe, que leve."

Menos sujo

De Salto a Porto Feliz, o rio corta belas paisagens e atrai muitas aves, mas ainda é possível ver plásticos pendurados nas margens. Depois de passar por Tietê, o rio que deu nome à cidade recebe as águas do Sorocaba e chega mais limpo a Laranjal Paulista.

Nesse trecho está prevista a construção de duas barragens para gerar energia e estender a navegação para além de Conchas. O projeto, em fase de licenciamento, pode dar novo impulso à economia da região, segundo os prefeitos.

O Tietê é navegável a partir do Terminal de Conchas. A hidrovia segue para Anhembi, onde começa o lago da hidrelétrica de Barra Bonita. A abundância de peixes garante a subsistência de pescadores. Mas o lago está assoreado. Um projeto visando ao afundamento da calha navegável está em estudo.

  
Nova fase de projeto de despoluição atrasa 6 meses à espera de verba

Prevista inicialmente para terminar em 2015, a terceira etapa do Projeto Tietê deverá ser concluída apenas no ano seguinte, por causa do atraso de seis meses na liberação do financiamento. Para manter a meta de universalizar o tratamento de esgoto no rio até 2020, a quarta e última fase será antecipada e deve começar já no ano que vem.

"Os recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sofreram atraso e tivemos de encavalar as etapas", diz Carlos Eduardo Carrela, superintendente de projetos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que é responsável pela despoluição do Rio Tietê.

Outra alteração é o valor total da terceira etapa, que prevê aumentar a coleta de esgoto em 300% e ampliar a quantidade de estações de tratamento de duas para cinco. Por causa de mudanças no projeto, o investimento nessa fase saltou de US$ 1,8 bilhão para US$ 2 bilhões.

Esgoto

O maior avanço em 2013 foi verificado em Barueri, onde há um ano praticamente não havia tratamento de esgoto. Hoje, segundo a Sabesp, um terço dos 87% que a cidade coleta já tem algum tratamento.

"Há três meses iniciaram em Barueri as obras para construir a maior estação de tratamento da América Latina, que vai tratar até 16 mil litros por segundo", diz Carrela. Apenas esta obra, segundo ele, terá custo de R$ 350 milhões.


A Sabesp já obteve o financiamento inicial de R$ 1,050 bilhão para iniciar, em 2014, a quarta e última fase. O edital, segundo a empresa, deverá ser lançado até o fim do ano.


Fonte: Estadão

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Desenvolvimento sustentável ainda está distante de ser realidade

Estudo mostra que o desenvolvimento ainda não está tão sustentável assim
  


Há muito que falamos em desenvolvimento sustentável, já que a situação de urgência do planeta chegou a tal ponto que não podemos mais ignorar os impactos ambientais causados por nós mesmos. E a sustentabilidade se tornou tema central pautado sempre em projetos de desenvolvimento econômico e tecnológico. A tendência das práticas sustentáveis seria a dissociação do uso de recursos naturais para o crescimento econômico e, pelos cálculos, isso parecia estar funcionando, mas um estudo publicado na Proceedings of theNational Academy of Sciences revelou que o tipo de cálculo que estava sendo utilizado não fornecia a quantia real de matéria-prima gasta por cada país.

Uma das ferramentas de cálculo mais comumente utilizadas por organizações internacionais e por algumas instituições governamentais é o Material de Consumo Doméstico (DMC, sigla em inglês), o qual considera apenas o volume de matéria-prima extraída e utilizada domesticamente e também o volume de material fisicamente exportado. Uma das metas da atualidade é obter a completa dissociação do uso de recursos naturais do crescimento econômico, para assim atingir o máximo do desenvolvimento sustentável, e de acordo com esses indicadores, estaríamos caminhando para esse objetivo.

O estudo realizado por pesquisadores de três universidades desvendou, no entanto, a omissão de dados importantes nesses indicadores. Eles desenvolveram um novo modelo, mais abrangente e capaz de mapear o fluxo das matérias-primas pelo mundo. Uma das razões da necessidade de novos indicadores é o comércio internacional, do qual países desenvolvidos dependem para obtenção de recursos naturais. Mas, muitas vezes, esses recursos não saem de seus países de origem por haver indústrias que utilizam as matérias-primas nos países sedes das filiais e só exportam o produto final, desequilibrando as estatísticas.

O pesquisador que liderou o estudo, Tommy Wiedmann, afirmou que estamos consumindo matéria-prima num nível nunca visto antes, e os resultados confirmam que não houve declínio na demanda de recursos em relação ao crescimento econômico, e isso é um alerta para que, com esses novos indicadores, os governos possam tomar as devidas providências.

Utilizando o que eles chamam de “material footprint” (pegada material), isto é, a quantidade de recursos naturais utilizados ou produzidos por um país, a pesquisa considerou minérios metálicos, biomassa, combustíveis fósseis e minerais de construção para o novo cálculo. A partir disso, foi descoberto que, em 2008, a China foi o país que teve o maior “material footprint” (MF) em valores absolutos, mas, em contexto internacional, os EUA são os maiores importadores de recursos, e a China, a maior exportadora. A Austrália teve o maior MF per capita, chegando a 35 toneladas por pessoa. E em todos os países industrializados o MF cresceu juntamente com o PIB, ao contrário do que mostrava o indicador DMC, ou seja, não houve uma aplicação eficaz do desenvolvimento sustentável. A África do Sul foi o único país que conseguiu de fato desvincular a dependência em recursos do desenvolvimento econômico.

Imagem: Confap

Fonte: Phys.org

Projeto que customiza carroças de catadores chega a Curitiba


O sucesso das edições São Paulo e Rio de Janeiro fizeram com que o Pimp My Carroça se tornasse uma saga sem fronteiras. O projeto que preza pelo bem-estar e a autoestima dos catadores e de suas carroças foi solicitado em diversas cidades e agora chega à capital do Paraná.

Para viabilizar a ação, o grupo escolheu mais uma vez o financiamento coletivo, estimando pela liberdade de atuação e pelo engajamento das pessoas que já fizeram, ou vão fazer acontecer essas edições. “Acreditamos também que esse financiamento nos permite atuar de maneira transparente e inclusiva, já que os produtos e serviços solidários também são essenciais à realização plena do projeto”, afirma a equipe.

A proposta continua sendo atingir R$ 38.2000 para “pimpar” mais 50 catadores curitibanos e suas carroças, com serviços e produtos já consolidados - cabeleireiro, massagistas, médicos, funilaria, borracharia, itens de segurança, camisetas, etc - para além de novidades, que cada contexto tem a ofertar.

Nesse tipo de financiamento é tudo ou nada, ou seja, se até o dia cinco de outubro o valor estabelecido não for alcançado a ação não será realizada. Veja aqui como contribuir.

O grupo também convida parceiros a participarem da ação: seja como voluntário anjo, serviços especializados, produtos da sua empresa ou ainda, com a divulgação da ação nas redes sociais e levando o convite aos amigos. “Os catadores de materiais recicláveis precisam de muita visibilidade ainda para a conquista de direitos efetivos e reconhecimento do valor do seu trabalho”, ressalta a equipe do Pimp My Carroça.

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

O vídeo abaixo mostra o trabalho já realizado pelo Pimp My Carroça:




Fonte: CicloVivo

"Praia do Tietê" reúne 600 pessoas na luta pela despoluição do rio


Chuva, meditação coletiva, trupes circenses e um show especial de Guilherme Arantes com a banda da turnê “Condição Humana” fizeram parte da “Praia do Tietê”, evento organizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, no último domingo (22), para celebrar o Dia do Tietê.

O objetivo da ação foi manter a sociedade engajada na luta pela despoluição do rio Tietê e cobrar o compromisso das autoridades e cidadãos com a recuperação do maior rio paulista.

“Queremos chamar a atenção da sociedade não só para a água do rio, mas como suas margens, por exemplo, podem ser usadas com ciclovias, áreas de convivência e até atrações culturais. O Rio Tietê tem de entrar na agenda da cidade”, afirma Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.

Para mostrar esse exemplo, banhistas com trajes de banho e antigos remadores lembravam como o Rio Tietê era usado há algumas décadas. O evento reuniu aproximadamente 600 pessoas na Ponte das Bandeiras, às margens do Rio Tietê.

Entre eles estava Elisa de Paula, 88 anos. Ela remou no Rio Tietê de 1944 até 1960 pelo Clube Esperia. "Os peixes pulavam enquanto a gente remava. Às vezes também nadávamos", conta. “Me dá vontade de chorar quando vejo o rio assim, mas ainda tenho esperança", diz.
  


Para ela, as pessoas em geral não ligam para o rio. "O povo joga lixo e as empresas também jogam esgoto. É uma pena, muita gente poderia aproveitar o Tietê como eu aproveitei", afirma.

O guru Sri Prem Baba, que realizou uma meditação coletiva, chamou a atenção para o cuidado que as pessoas têm com o rio. “Hoje escolhemos nos engajar no movimento em prol do rio Tietê, mas gostaria de falar sobre o significado dessa escolha. Passamos pela marginal e não notamos o rio. Despejamos nossos detritos e lixos nele sem perceber que ele é parte da natureza, da vida, da nossa casa. Tem um muro que nos separa do rio, mas esse rio é parte de nós mesmos. A separação é somente ilusão. Tudo está interligado”, afirma.

 


 
Perspectivas

Com essa atuação da sociedade em prol do Rio Tietê, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin falou sobre as metas do governo para os próximos anos. “Nós já tiramos 365 toneladas por dia de esgoto ao longo dos 1.600 km do rio Tietê. Saímos aqui da Região Metropolitana de 70% de esgoto coletado para 84%. A nossa meta é em 2020 ter universalizado o tratamento”, disse.

O cantor Guilherme Arantes reforçou que o show era para celebrar a recuperação do rio, que ele não duvida que ocorra. “O Tâmisa já foi um lixo e hoje é um exemplo de equipamento urbano. Um dia chegaremos lá”, afirmou.


Ele dedicou a música “Raça de Heróis” à SOS Mata Atlântica. “É uma ONG com uma gestão exemplar e que é alegre. É a alegria que transforma o mundo”, concluiu.



Fonte: CicloVivo

Guarita é construída com garrafas PET, tampinhas e papelão


Uma escola na cidade mexicana de Metepec ganhou uma portaria construída somente com materiais reciclados – as paredes foram erguidas com garrafas PET, o piso é constituído por tampinhas e a parte superior é formada por diversas caixinhas de papelão. Exemplo de reaproveitamento e construção sustentável, a guarita tem chamado atenção no mundo inteiro por suas características.

Além de transformar em materiais de construção os resíduos que são jogados no lixo todos os dias, a construção também tem isolamento acústico, térmico e oferece boa resistência. Segundo informou o jornal mexicanoEl Universal, este tipo de obra é uma aposta viável para reduzir custos e combater a falta de acesso à moradia, problema recorrente no mundo inteiro.

As paredes da guarita foram erguidas com garrafas PET cheias de terra, com a mesma densidade dos tijolos convencionais. A parte de baixo das garrafas foi utilizada para compor o lado externo da construção. As tampinhas coloridas que compõem o piso foram inseridas em argamassa, cimento e areia, e as embalagens de papelão reciclado criaram o telhado.

A iniciativa de construção sustentável já foi observada em outros lugares da América Latina, como na Guatemala, em que uma escola de uma comunidade isolada foi totalmente erguida a partir de resíduos reciclados. No entanto, os mexicanos assumem que faltam profissionais que deem vida nova para o lixo, e que a construção da portaria é um bom começo para incentivar este tipo de obra em todo o planeta.

Fonte: CicloVivo

Holandeses criam primeiro smartphone sustentável


Um celular que se intitula “seriamente legal, que coloca em primeiro lugar os valores sociais”, foi desenvolvido na Holanda. O produto é fruto de uma empresa social formada por cinco profissionais.

Quantos de nós podemos afirmar com segurança a procedência de um determinado dispositivo eletrônico? Saber como funciona e quem integra toda a cadeia produtiva, que envolve fornecedores, distribuidores, atacadistas, armazéns e fábricas, é quase impossível. Entretanto, os criadores do Fairphone assumiram o compromisso de serem mais transparentes, e, para isso, acompanham cada componente, indivíduo e processo, a fim de mostrar o impacto da produção de eletroeletrônicos e tomar medidas para propor melhorias.

De acordo com os criadores, o smartphone foi produzido da maneira mais justa possível. O grupo ressalta a funcionalidade social que permeia o desenvolvimento do aparelho.

“Produzir um telefone permite-nos abordar as grandes questões e desafios que enfrentamos a partir de uma perspectiva humana. É um objeto cotidiano, que quase todo mundo tem, usa ou pode se identificar. É tanto um dispositivo tangível, como um grande símbolo do nosso mundo conectado, social”, diz a empresa, em seu site.


Os criadores acreditam que o aparelho possa ser um veículo para uma nova maneira de produzir, uma mudança que acarretará em uma economia baseada em valores. Algumas dessas transformações vão acontecer rapidamente, afirma a companhia, enquanto outras podem levar anos.

Os telefones celulares contêm mais de trinta tipos diferentes de minerais e metais. Como não se pode escapar do uso desses produtos, a companhia busca o selo “Comércio Justo”, realizando ações para garantir que a extração não financie forças armadas ilegais.

A criação do produto é baseada em um roteiro com cinco passos que levam em consideração: boas condições de trabalho e prática de reciclagem, uso de materiais preciosos e metais livres de conflitos, design inteligente, preços justos que reflitam o custo real de cada etapa e ainda busca de alternativas para o descarte do aparelho.

Na questão trabalhista, por exemplo, a empresa capacita os trabalhadores a entrarem em discussões diretas com seus empregadores, além de oferecerem um salário compatível com as horas de trabalho realizadas.
  


Já em relação às especificações, as baterias são removíveis e substituíveis, o aparelho possui capacidade Dual SIM e embalagem mínima. O Fairphone é baseado no Android e busca da inclusão de elementos adicionais – para isso, estão em parceria com plataformas abertas. Em longo prazo, o objetivo é fabricar um telefone totalmente reciclável, ??feito com material ecológico, livre de plásticos e toxinas.

Embora ainda não seja comercializado em massa, já foram vendidas 15 mil unidades do Fairphone na internet. Ainda há 25 mil aparelhos disponíveis, de acordo com o site da empresa. Veja aqui como adquiri-lo.


Fonte: CicloVivo

Arquiteto transforma antiga caixa d’água em apartamento


Uma histórica caixa d’água da cidade de Antwero, na Bélgica, foi transformada em um apartamento de seis andares. O projeto da reforma foi feito por Jo Crepain, arquiteto premiado na Bélgica que infelizmente faleceu em 2008. O apartamento, chamado de Woning Moereels, marcou o trabalho do arquiteto, revelando que a simplicidade muitas vezes nos leva à soluções mais elegantes.

O reservatório de água permaneceu abandonado por muitos anos, até que a prefeitura da cidade decidiu vendê-lo. Um arquiteto paisagista local decidiu transformar a construção em sua casa dos sonhos. Trabalhando juntamente com Jo Crepain, os dois criaram um projeto simples de apartamento com seis andares e com um jardim de inverno no andar abaixo da antiga caixa d’água de concreto.
  


A casa foi construída com um vão livre de seis metros anexo à quatro andares do reservatório. O edifício foi vedado com painéis de vidro translúcido.

A residência tem vista para as florestas adjacentes de Braaschaat e uma escada liga todos os andares.

Lâmpadas fluorescentes iluminam a fachada do apartamento, tornando o edifício em uma espécie de “farol” da cidade. As paredes de vidro fazem com que a iluminação natural penetre na residência, porém, elas não são transparentes o suficiente para que quem esteja passando na rua enxergue o que está acontecendo lá dentro.


A antiga torre de concreto e a nova fachada de vidro “reforça a ambição do simbolismo industrial entre o novo e o velho.” Woning Moereels é um projeto de adaptação de reuso que aumenta as qualidades da antiga construção, enquanto cria um novo espaço útil.
  


Crepain e seu cliente trabalharam com um orçamento pequeno para fazer o projeto e, como o próprio arquiteto disse em 2008, “Nós fomos sortudos por não termos dinheiro, porque o que temos agora é um lindo edifício simples e soberbo. Às vezes é difícil fazer algo simples, mais difícil que fazer algo complicado. Nós temos que manter em mente o “menos é mais” do famoso arquiteto modernista Mies van der Rohe e trabalhar duro para fazer menos.”



Fonte: CicloVivo