sexta-feira, 29 de maio de 2015

“Crise hídrica traz oportunidades para o saneamento”, afirma Dante Ragazzi Pauli, presidente nacional da ABES, em palestra da CT Recursos Hídricos da ABES-SP

A crise hídrica que atinge várias regiões do Brasil e preocupa países em todo o mundo é uma oportunidade para o setor de saneamento. A afirmação foi feita pelo presidente nacional da ABES, Dante Ragazzi Pauli, em palestra promovida pela Câmara Técnica de Recursos Hídricos da ABES-SP, nesta quinta-feira, dia 28. “Temos que participar do debate, provocar a discussão propositiva dos temas do setor, procurar políticos que se engajem, viabilizar investimentos. Muita coisa pode mudar a partir da crise para que o setor de saneamento deixe de ser o primo pobre das áreas de infraestrutura no Brasil”, ressaltou.
Abordando o tema “Perdas de água”, Dante discorreu sobre o cenário do saneamento no país, onde os índices podem chegar a 60% em algumas regiões. “Há municípios sem quadros profissionais, sem recursos, sem conhecimento de tecnologia disponível, fatores que impactam diretamente nos índices de perdas de água.”
No Brasil, um fator que agrava o índice são as perdas comerciais. Em países como o Japão, explicou, não há perdas comerciais como nós temos. “Quando estive em Tóquio, perguntei aos japoneses qual era o número de fraudes por ano: eram 10, uma situação muito diferente da nossa.”
O grande desafio do saneamento no momento atual, para o especialista, é unir o setor. “Temos que agarrar esta oportunidade, uma tarefa que a ABES vem tentando fazer. Temos que dar passos firmes no sentido de reestruturar as companhias estaduais, que têm um papel chave. E é preciso que todos os níveis de governo assumam sua responsabilidade, não só o federal, mas o estadual e o municipal.”
Dante enfatizou que o 28º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, que a ABES promoverá no Rio de Janeiro entre 4 e 8 de outubro, terá a crise hídrica e as perdas de água como alguns dos temas principais da programação, sempre reforçando o caráter propositivo dos debates da entidade.
Nesse sentido, a Câmara Técnica de Recursos Hídricos da ABES-SP, criada com o intuito de ser um ambiente de discussão qualificado e de excelência técnica, acompanhando os temas do saneamento, como a crise de escassez hídrica, tem um papel muito importante, como afirma o presidente da ABES. “Esta Câmara está indo muito bem, participando das discussões do setor, reunindo profissionais competentes, que têm muito a contribuir.”
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 Dante Ragazzi se apresenta na Mesa-Redonda 'Perdas de Água' 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Câmara Técnica de Saneamento e Saúde em Comunidades Isoladas da ABES-SP realiza reunião ordinária com apresentação de engenheiros da Acqualimp

A Câmara Técnica de Saneamento e Saúde em Comunidades Isoladas da ABES-SP (CTCI) reuniu seus membros nesta terça-feira, dia 26, na sede da entidade, para uma nova reunião ordinária. Na ocasião, os engenheiros Daniel Kuchida e Fernando Amorim da Acqualimp, companhia especializada em armazenamento e tratamento de água, apresentaram a palestra ‘Soluções de Água e Saneamento’ para os integrantes da câmara.
Os engenheiros iniciaram a apresentação trazendo alguns exemplos de tecnologias inovadoras de alta velocidade de implantação, utilizadas pela Acqualimp: cisternas, banheiros úmidos e biodigestores. Segundo eles, essas soluções permitem rapidez e a participação da comunidade no manuseio, instalação, manutenção e operação sustentável, além de permitirem a aplicação em larga escala.
Fernando Amorim destacou um projeto realizado em parceria com a Prefeitura do Guarujá, na região da Prainha Branca, onde está sendo viabilizada a implantação da tecnologia de biodigestores. “O biodigestor é muito leve e fácil de ser transportado, então é uma solução viável para essa comunidade. A instalação também é muito rápida e o próprio beneficiário pode fazer todo o processo de manutenção, que é muito simples.”
Daniel Kuchida ressaltou que há outros importantes projetos, que envolvem este tipo de solução, já instalados com grande eficiência. “Há mais dois grandes cases em que nós trabalhamos. Um é na cidade de Artur Nogueira, onde é muito disseminada essa cultura de usar o biodigestor; o outro é o projeto Conservador das Águas em Extrema, no sul de Minas Gerais, em que também participamos, que é um projeto que já foi bastante premiado.”
Os engenheiros ainda citaram a participação da Acqualimp no Programa Água para Todos, do Governo Federal. Segundo eles, na primeira etapa, a companhia atuou exclusivamente no fornecimento de cisternas de polietileno para atender às demandas do programa. No entanto, após notar as dificuldades na instalação dos produtos, a Acqualimp passou a trabalhar com toda a implantação das cisternas. “A gente entregava o produto e eles não sabiam instalar e acabava saindo tudo errado e causava deformações, pela má instalação. E mais: a equipe de mobilização social também não sabia o que falar das cisternas, o que começou a criar mitos a respeito delas, e a população passou a ficar com medo disso, achando que iria fazer mal a eles”,  explica Daniel.
Por isso eles passaram a trabalhar com o regime TurnKey, no qual uma única empresa fica responsável por todo o desenvolvimento e execução do projeto, o que consegue criar a sinergia entre todas as suas etapas. Desta forma, a Acqualimp tornou-se responsável, não só pela produção das cisternas, como também pela instalação e comprovação digital. A companhia também iniciou um plano de mobilização social com a população atendida, desmistificando alguns aspectos que envolvem o projeto e ensinando os beneficiários a realizar a manutenção das instalações.
Como resultados do Água para Todos, Daniel e Fernando relataram uma diminuição dos gastos da população, com um consequente aumento da renda, além de um significativo ganho de tempo e de qualidade de água. Segundo dados apresentados, 93% dos atendidos declararam que a saúde da família melhorou com o projeto.
Após a apresentação dos engenheiros, os membros da Câmara discutiram os resultados do Seminário “Segurança da Água para Consumo Humano - Como Moldar o Futuro da Água para as Partes Interessadas?”, no qual Ana Lucia Brasil, coordenadora da CTCI, ministrou a palestra ‘O desafio do saneamento para comunidade isoladas’.
O discutiu ainda sobre os preparativos do Seminário Regional de Saneamento Rural, que será realizado nos dias 22 e 23 de junho, em Campinas, e da Oficina Municipal de Saneamento – ABES-FUNASA, ainda sem data programada para acontecer.