sexta-feira, 13 de julho de 2012

ABES-SP promove palestra gratuita sobre requalificação urbana




A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-SP), comprometida em fomentar discussões com aspectos técnicos e conceituais à sociedade, organizou, na manhã do dia 21 de junho de 2012, um encontro aberto ao público. Na ocasião, a importância da gestão metropolitana nas marginais do Sistema Tietê – Pinheiros foi considerada.

A apresentação ficou a cargo do engenheiro Rodolfo José da Costa e Silva Junior, assessor técnico da Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano de São Paulo, que desenvolve e articula temas em benefício da funcionalidade da região que, atualmente, conta com a terceira maior aglomeração urbana do mundo, com 19,6 milhões de habitantes.

Desta forma, para iniciar os trabalhos, o palestrante conferiu um perfil da população residente na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) com base na pesquisa “Como a cidade deve ser em três décadas?”, realizada em 2011, que foi respondida por 25 mil paulistanos.

Constatou-se, assim, que os principais projetos desejados, foram: “A cidade de 30 minutos”, tempo médio de qualquer deslocamento dentro da capital; “Rios vivos”, que contempla a revitalização dos córregos urbanos; e “Comunidades”, que abrange a urbanização e acesso à cultura e lazer em qualquer ponto da cidade.

De acordo com o assessor técnico, os três temas estão diretamente ligados com o Plano de Requalificação Urbana das Marginais do Sistema Tietê – Pinheiros. “Precisamos integrar o rio com a sociedade, facilitar o fluxo de pessoas no entorno e quebrar o isolamento histórico imposto pela construção das marginais, criando formas de acesso às margens do rio”, considera.

Segundo ele, é necessário que a Região Metropolitana de São Paulo seja planejada com olhos para o mundo e para o futuro, valorizando a qualidade de vida dentro de sua área territorial. “Esta ideia gira em torno de transformar o que é quintal em cartão de visita”, sintetiza.

Como exemplos, o especialista citou o Corredor Verde Monsanto, em Lisboa, Portugal; a Passarela do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro; o Museu Guggenheim Bilbao, na Espanha; assim como a Millennium Bridge, em Londres e a Ponte da Mulher, em Buenos Aires, Argentina. “Todos estes lugares fizeram com que a região de seus principais rios ficasse esteticamente atraente”, ressalta. “Poderíamos, ainda, promover a navegação turística e comercial através dos rios, como acontece em Magdeburg, Alemanha”.

Para Silva Junior, o Plano de Requalificação envolve, em suma, um novo tratamento, tanto arquitetônico e paisagístico como funcional. “Podemos transformar a área em um grande centro de cultura”, vislumbra. A implantação de instalações de artistas, criação de teatros ao ar livre, esculturas de artistas brasileiros, bem como bibliotecas e a promoção de artesanato latino-americano são algumas das prospecções do projeto.

“Já temos uma primeira proposta encaminha ao governo e que já foi aprovada, que é a interligação da Universidade de São Paulo (USP) ao Parque Villa Lobos”, conta. De acordo com ele, a ideia implícita no plano de requalificação é a de buscar um novo patamar de valorização urbana da cidade, calcado na urbanização das favelas da região, na recuperação de espaços degradados e a requalificação e modificação do uso de prédios públicos incompatíveis com o plano.

“Pretendemos criar espaços de lazer e esportes ao longo da região de planejamento, integrando-os com clubes e parques existentes”. Como princípios a esta ação, estipula-se a criação de circuitos de caminhada com estações de ginástica, pistas de skate, passarelas que facilitem o acesso dos clubes às marginais e facilitar, ainda, o acesso aos parques existentes aproveitando o potencial esportivo.

Segundo o assessor técnico, um plano que enxergue a cidade do ponto de vista conceitual e anteceda às obras é fundamental ao êxito do projeto. “Buscamos a volta do verde, com pisos drenantes, jardins urbanos, telhados e corredores verdes”, visualiza. De acordo com o estudo, a cidade de São Paulo necessita de 48,5 km de corredores verdes, entre ruas e avenidas, para amenizar fenômenos climáticos, como as ilhas de calor, e para ter maior capacidade de reter a água da chuva.

O Plano de Requalificação das marginais, cuja conclusão está prevista para 2013, abrange análise de questões jurídicas e avaliação preliminar do impacto financeiro das obras. “Entretanto, pelo potencial turístico e funcional das propostas, o plano se sustenta do ponto de vista econômico”, salienta. As condicionantes frente aos principais problemas dos rios: enchentes e qualidade da água, também estão envolvidas.

“A questão mercadológica do turismo interno e internacional, a influência da requalificação na dinâmica interna futura da RMSP, a caracterização das limitações físicas e estruturais de toda a área onde será implantado o plano de requalificação são pontos importantes que serão analisados. Além disso, temos de nos atentar sobre a caracterização de trechos degradados sob o ponto de vista ambiental e social, além de estudo das interferências com usos subterrâneos da área estudada”, enumera Silva Junior.

Como benefícios do Plano de Requalificação, o assessor elenca os stakeholders do projeto, com a contribuição de melhoria e valorização imobiliária, assim como o amplo desenvolvimento do turismo na cidade, a geração de empregos, dinamização da economia e a redução dos custos de transporte.

“Independente do nível social, a população ganhará quilômetros de lazer na metrópole. Precisamos modificar as prioridades da cidade”, diz. De acordo com ele, como trincheiras aos entraves políticos e imobiliários que o plano possa enfrentar, existem o Banco Mundial e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que já estão, preliminarmente, ligados ao projeto. “As parcerias público-privadas que iremos articular também serão importantes neste processo”, conta.

Para Dante Ragazzi Pauli, presidente da ABES-SP, o tema é de absoluta relevância e proporciona a oportunidade da Associação desviar-se do convencional, mesmo que o tema seja interligado com a sua área de atuação.

Já para Roberval Tavares de Souza, diretor da Região Sudeste da ABES Nacional, também presente no encontro, o plano de requalificação das marginais é ousado e suscita a visão de planejamento urbano e a esperança de melhoria do aspecto urbanístico da RMSP. “O saneamento ambiental é parte fundamental da despoluição das águas do sistema Tietê – Pinheiros”, constata.


O encontro contou com a presença de, aproximadamente, 80 pessoas, entre representantes de prefeituras, entidades, engenheiros autônomos, estudantes e parcela significativa da sociedade civil, interessada em um fórum de discussões que priorize interesses comuns.     


A palestra pode ser vista no vídeo:  







    


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