segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Conheça o projeto de “asa” que mantém conforto térmico sem gasto de energia



Para criar uma casa com um clima aconchegante sem gasto de energia, a equipe multidisciplinar do SuperLimão Studio, de São Paulo, recorreu a uma ideia dos ares e executou com materiais usados nos mares. O grupo, formado por profissionais de desenho industrial, arquitetura, engenharia e turismo, começou a pensar no protótipo do projeto para uma casa localizada próxima ao aeroporto de Congonhas, na capital paulista.


A passagem dos aviões, durante uma das visitas ao local, foi a inspiração para criarem o conceito da asa. “A asa possui um formato aerodinâmico. Utilizamos esta característica para conseguir direcionar o vento para dentro da edificação em períodos quentes e desviar para fora durante períodos frios”, explica Lula Gouveia, um dos sócios do SuperLimão.

O projeto propõe uma forma simples e passiva para controlar a iluminação e ventilação, o que é feito normalmente por lâmpadas e ar condicionado. “A cidade de São Paulo apresenta uma das maiores variações climáticas do Brasil, de forma que seria impossível projetarmos uma situação que se comportaria de forma ótima tanto no verão quanto no inverno. Esta variação ocorre inclusive durante o período de um dia. Tendo isto como referência, queríamos que a casa conseguisse mudar de forma rápida e eficiente”.


Tecnologia de barcos

Para executar o sistema com eficiência, o grupo pesquisou e recorreu a uma estrutura leve e resistente. “Fizemos uma parceria com um estaleiro de lanchas de corrida. Eles fabricam o casco das lanchas com fibra de vidro e kevlar (usado também em coletes a prova de balas), materiais de ponta que normalmente não são usados na indústria civil. Todas as engrenagens do mecanismo são normalmente utilizadas em veleiros ou foram desenhadas por nós e executadas em um torneiro especialista em peças deste tipo”, diz Gouveia.

A asa é a parte principal do sistema, que pode ser complementado por uma escotilha (um tipo de janela que se utiliza em barcos) que cria uma saída de ar. “Sem ela não conseguiríamos ter uma ventilação cruzada que nos permite a troca de calor de forma muito eficiente”. As telhas usadas na construção do protótipo são de Tetrapak reciclado, os mecanismos de abertura são polias de barcos e também existe a opção de captação de energia solar com uma placa fotovoltaica.

Em relação aos custos, Lula explica que entre ferragens, frete e instalação o sistema fica em torno de R$ 10.000. “Muito abaixo do custo de iluminação, ar condicionado e cobertura que utilizaríamos em uma solução convencional”, conclui. “E pode ser aplicado em larga escala. Podemos dizer que o sistema é, na verdade, um brise gigante”. O protótipo está em uma casa em São Paulo, mas já foi utilizada de forma diferente em outros projetos. “Vale lembrar que esta solução depende de fatores locais como posicionamento em relação ao Sol e velocidade e constância dos ventos”.

Fonte: Superinteressante 
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