quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
ARTIGO: Os caminhos das águas, sem tantos atropelos
(este artigo foi publicado originalmente no jornal O Estado
de S. Paulo, edição de 21/02/2014).
O noticiário da primeira quinzena de fevereiro foi dominado
pelas notícias de apagões e suas ameaças, racionamentos e desabastecimentos de água, crises da matriz
energética etc. O racionamento já estava em quase 150 cidades, onde vivem mais
de 6 milhões de pessoas. O uso médio de água ficava de 15 a 20% acima da média
habitual de 150 litros diários por pessoa. O nível dos reservatórios do Sudeste
e Centro-Oeste, abaixo da média do ano do racionamento, 2001. A questão da
matriz energética já foi tratada em artigos anteriores - não é caso de retornar. Melhor tentar ver com que
caminhos poderão ser enfrentadas de
imediato as ameaças na área do fornecimento de água para a população.
É preciso
começar pela questão das perdas de água por vazamentos e furos nas nossas redes
públicas, que estão próximas de 40% do
total do que passa pelos condutos (ESTADO, 20/3/13) – o que é uma calamidade
difícil de compreender, quanto mais de aceitar, no momento em que 7% da
população nacional (mais de 15 milhões de pessoas) sequer recebem água tratada
em suas casas. E 44% (mais de 80 milhões) não têm suas residências ligadas a
redes de esgotos – o que é uma das causas principais da degradação de ambientes
urbanos e das águas onde caem esses esgotos, junto com os que, coletados, não
são tratados e têm o mesmo destino. Para universalizar as redes de esgotos em
todo o país e de água, dizem os diagnósticos,
precisaremos de mais de R$300 bilhões em 20 anos. Mas estamos aplicando
uma ninharia, diante da necessidade. Mesmo sendo possível caminhar com
tecnologias muito mais baratas, como a do sistema de coleta de esgotos por
ramais condominiais, mais de uma vez comentada neste espaço (hoje, atende a 15
milhões de pessoas e levou Brasília a ser uma cidade com praticamente todos os
seus esgotos coletados).
Mas é difícil até imaginar que quase 40% da água levada a
mais de 180 milhões de brasileiros (uso médio de 150 litros diários por pessoa
– repita-se) se perde nas redes, antes de chegar a seu destino (o Japão perde
menos 5%). E as causas são vazamentos e furos em redes antigas e/ou sem
manutenção. Custaria algumas vezes menos reparar essas redes, mas em geral as
administrações optam por obras novas (reservatórios, adutoras, estações de
tratamento), mais visíveis, mais rentáveis eleitoralmente e preferidas pelas
grandes empreiteiras, maiores financiadoras das campanhas. A cidade de São
Paulo, que, segundo a Sabesp reduziu suas perdas para 25,6% da água
distribuída, baixou seu prejuízo em R$275,8 milhões por ano (há números menos
favoráveis, publicados na edição de18/2) Esse deveria ser um dos temas centrais
das campanhas eleitorais, pois os eleitores é que pagam. E eles precisam saber
que já existem equipamentos eletrônicos que detectam com precisão onde há furos
e vazamentos e facilitam e apressam os reparos. Também precisam pressionar para
que a rede de financiamentos, principalmente federal, que praticamente não atua
nesse segmento das reparações, passe a fazê-lo. Hoje, como os reparos nas redes
não são prioritários, é preciso buscar
água cada vez mais longe em todos os lugares, a altíssimos custos e tendo de
enfrentar a disputa entre municípios.
Da mesma forma, é preciso enfrentar com a questão do uso das
águas subterrâneas, inclusive no município de São Paulo. Boa parte do uso é
feito sem licença e sem fiscalização -
ameaçando os aquíferos. Já há cidades como Ribeirão Preto (mais de 500 mil
habitantes) que não usam um só litro de água superficial, por causa da poluição.
Ou Manaus, cercada por dois dos maiores rios do país (Negro e Solimões).
E que se pode dizer de uma megalópole como São Paulo, com
tais problemas de abastecimento, ter de conviver com a impossibilidade de usar
a água de rios como o Tietê e o Pinheiros, assoreados e poluidos? Na infância,
o autor destas linhas chegou a assistir a uma “Travessia de São Paulo a nado no
rio Tietê”; hoje, os competidores correriam
riscos altíssimos com a poluição.
Como aceitar também o
assoreamento impedindo o uso desses rios como via de transporte ? Ou com o fato
de centenas de milhares de pessoas viverem em áreas de preservação, à beira de
reservatórios de abastecimento, em casas sem estrutura sanitária ? Ou ainda que
não se cumpra a legislação que obriga, em muitos municípios, a manter , em cada
imóvel, principalmente industriais e comerciais, espaços para a infiltração de
água de chuva (impedindo inundações) e manutenção de depósitos que permitam o reuso dessa água, como lembra
o projetista Jack Sickermann – acentuando a responsabilidade de arquitetos e engenheiros
e lembrando que o retorno dos
investimentos é cada vez mais rápido, assim como o custo é gradativamente
menor.
Da mesma forma, como entender que não se priorizem projetos
para a adequação do sistema de drenagem urbana nas cidades, onde, insuficientes
e desgastados, contribuem para inundações – ao invés de serem integrados em
grandes sistemas de reuso da água para fins compatíveis ?
Também é preciso dar prioridade à questão do uso de água em
pivôs centrais na zona rural, com grande parte deles perdendo (com a aspersão a
grandes alturas) boa parte do que capta. Essa perda não repõe todo o líquido no
subsolo, por causa da evaporação e da compactação da superfície do solo E ainda contribui para levar altos volumes de
nitrogênio para os rios e para mar, onde contribuem para a multiplicação de
algas.
Enfim, há muitos caminhos a serem trilhados, que podem
evitar tanto o desabastecimento como o racionamento, sem ter de recorrer
necessariamente a obras caríssimas. E cabe à comunicação debater tudo isso com
as comunidades. A estas, cabe optar pelos caminhos mais adequados e menos caros
que lhes apontem. Não é possível seguir numa trilha em que as soluções pareçam
impossíveis ou só viáveis a custos estratosféricos. Pode haver custos
adequados.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Índia duplica capacidade de energia solar
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| O governo indiano ainda pretende dobrar sua capacidade de energias renováveis até 2017. Foto Airman 1st Class Nadine Y. Barclay/cc |
Os investimentos da Índia em geração de energia solar surtiram efeito. As ações em busca do desenvolvimento alternativo e sustentável resulta em uma contínua progressão. Agora o país está em fase de construção de uma grande usina solar.
No ano passado, a Índia acrescentou um pouco mais de um gigawatt de energia solar à sua rede elétrica – somando sua capacidade para 2.18 gigawatts. De acordo com o Carbono Brasil, os números sugerem que a capacidade fotovoltaica no país pode se mostrar muito além das metas nacionais instituídas pela Missão Solar Nacional (NSM).
Na Índia, a capacidade em energia alternativa aumentou quatro gigawatts nos últimos dez anos, sendo que a produção eólica responde por dois terços desse total. O governo indiano pretende duplicar sua capacidade de energias renováveis até 2017.
Para alcançar o objetivo, uma das ações está na “Ultra-Mega Green Solar Power Project” - a usina que será construída na região desértica do Rajastão. De acordo com o site The Economic Times, o parque solar ocupará uma área de 93 mil quilômetros.
Além disso, recentemente, Portugal e Índia firmaram um acordo de cooperação em energias renováveis. O país indiano deve analisar, por exemplo, a possibilidade de desenvolver projetos de energia solar em solo português. Em comunicado, o ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, de Portugal, adiantou que um dos interesses está na energia das ondas com base no potencial do litoral indiano.
Fonte: Ciclo Vivo
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Conhecimento multidisciplinar é essencial ao profissional de saneamento, afirma especialista espanhol que ministrará curso na ABES-SP em março

Multidisciplinaridade é requisito fundamental aos profissionais que atuam ou estão se preparando para atuar no saneamento. A afirmação é do espanhol Vicente Cesar de Medina Iglesias, Engenheiro de Estradas, Canais e Portos (equivalente a Mestre em Engenharia Civil) pela Universitat Politécnica de Catalunya (UPC) e Engenheiro Técnico de Sistemas, pela Universitat Oberta de Catalunya (UOC) - Mestre em Engenharia, que virá ao Brasil em março para ministrar o “Curso de Hidráulica de rios com uso de HEC-RAS em combinação com Softwares GIS livres”, promovido pela ABES-SP. “É preciso ter conhecimentos de novos materiais e técnicas, para projetar sistemas de baixo consumo de energia sustentáveis e escaláveis, prevendo a vida útil da estrutura e a sua manutenção e modificação”, afirma o especialista. Vicente ministrará o curso em parceria com Allen Bateman Pinzón, Engenheiro Civil pela Escuela Colombiana de Ingeniería e Doutor em Estradas, Canais e Portos pela ETSECCIP/Barcelona (veja informações sobre o curso em http://www.abes-sp.org.br/cursos-e-eventos).
O especialista explica que, na Espanha, a estrutura acadêmica é desenvolvida a partir de grandes projetos europeus de investigação, nas quais as linhas estão definidas. “Em uma segunda fase, a informação atinge profissionais através de cursos de mestrado, pós-graduação ou específicos, geralmente muito práticos”, esclarece.
Durante o curso da ABES, Vicente apresentará para os brasileiros a experiência de inovação que vem sendo aplicada na Europa, como os dois conceitos fundamentais usados no continente: "Room for the River" (dar espaço aos rios) e "Non Structural Measures" (combinando medidas tradicionais de engenharia - barragens, canais - com medidas "soft", como sistemas de alertas e planos de evacuação).
Vicente informa que o modelo europeu de gestão do risco de inundação é definido pela Inglaterra e pela Holanda, países onde, segundo ele, existem estruturas de governo muito eficientes para a gestão de inundações.
O engenheiro, que já esteve no Brasil para uma conferência sobre hidráulica, procura se informar, pelo noticiário, sobre o tema das enchentes em nosso país, para entender o contexto social e político.
Ele afirma que a parte mais importante no caso das inundações é a definição de uma lei que estabeleça prioridades nos problemas de inundação: segurança-planejamento-engenharia-ambiente. “O conflito econômico e social faz com que a gestão das inundações requeira uma lei, metodologias, procedimentos muito detalhados para avaliação de risco e de gestão, regulamentos”, ressalta. “Para funcionar de forma eficiente, deve haver uma lei precisa. Não é um problema técnico ou de modelos, é um problema de lei, vontade e dinheiro”, complementa.
O curso
O “Curso de Hidráulica de rios com uso de HEC-RAS em combinação com Softwares GIS livres” acontecerá de 17 a 21 de março, das 9h às 18h, na sede da ABES-SP. É voltado a engenheiros que trabalham com projetos de canais, rios e córregos, técnicos das Prefeituras, do DAAE e profissionais de engenharia dedicados a elaboração de projetos de macrodrenagem.
Durante as aulas, os participantes obterão noções de hidráulicas de rio, aprenderão a elaborar estudos de risco de inundação e a usar o programa HEC-RAS aplicados a casos práticos.
Para mais informações e inscrições, entre em contato com o departamento de treinamento ABES-SP, através do email treinamento@abes-sp.org.br ou pelos telefones 11 3814-1872 / 2729-5510.
Pia acoplada a aquário faz usuários repensarem o desperdício de água

O projeto ‘Poor Little Fishbowl Sink’, criado pelo designer chinês Yan Lu, leva uma abordagem incomum sobre como economizar água. A proposta do trabalho é utilizar sistemas visuais para provocar o consumidor a adquirir hábitos conscientes.
A invenção é instalada na pia e trabalha a mente do usuário, em relação ao desperdício de recursos hídricos. Ao consumir a água, quando a torneira é acionada, o nível do aquário instalado na pia, desce gradualmente, dando-lhe imediatamente um sentimento de que o peixe vai morrer se o gasto continuar. Assim, as pessoas são incentivadas a desligar a água antes que causem qualquer danos ao peixinho.

No entanto, felizmente, o peixe nunca estará realmente em perigo de ficar sem água. O dispositivo está apenas trabalhando o psicológico das pessoas e “forçando-as” a fechar a torneira. Existe um encanamento escondido que deixa a água escorrer um pouco, até certo ponto. Em seguida, ele enche muito lentamente o tanque para manter o peixe a salvo e o nível da água volta para onde estava. O aquário foi simplesmente projetado para diminuir o nível de água até que o usuário pare de lavar as mãos, embora nunca se esgote completamente.

As tubulações para o aquário e para a torneira são separadas: a água para lavar as mãos não vêm com excrementos de peixe e a água com sabão não retorna para o aquário.
Outra explicação dada pelo designer é que, de maneira alguma, o retorno de água ao tanque faria mal ao peixe. A mesma água que sai pela tubulação, fica em um tanque de armazenamento na base da pia, em seguida ela é bombeada de volta ao aquário. Além disso, o processo de entrada e saída de água, acaba elevando – razoavelmente, o nível de oxigênio.

Este projeto faz com que o consumidor lembre-se quão importante é este recurso natural, e como as ações do nosso dia-a-dia podem afetar as criaturas ao nosso redor.
Fonte: Ciclo Vivo
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