terça-feira, 13 de novembro de 2012

Pesquisa da USP utiliza húmus de minhoca na descontaminação de solos


Um estudo do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo, destinado a livrar solos da contaminação por cobre, chumbo e cromo, utilizou o húmus resultante da compostagem com minhocas (vermicompostagem) no esterco bovino, como alternativa ecológica para corrigir terras que precisam ser descontaminadas.

De acordo com a professora Maria Olimpia de Oliveira Rezende, que coordenou a pesquisa, a limpeza de solos contaminados pelos metais é um processo complexo e oneroso, que utiliza produtos nocivos ao meio ambiente. Com o novo método desenvolvido pela pesquisa, o esterco bovino é usado por ter propriedades orgânicas e também por ter se apresentado como solução ecológica, já que se trata de um resíduo que seria descartado no meio ambiente. Além do esterco, existem outras fontes que poderiam ser utilizadas, como bagaço de laranja e cana-de-açúcar.

Segundo Leandro Antunes Mendes, mestre em química ambiental e autor da pesquisa, a contaminação por cobre e por chumbo pode ocorrer em qualquer área de mineração ou despejo de resíduos sem controle no solo. O cromo, liberado pelas indústrias de curtume, após o tratamento do couro, é problema de cidades paulistas como Jaú e Franca, onde existem muitas fábricas de calçados.

Ele explica que, apesar de a presença do cobre e do chumbo em pequenas quantidades serem essenciais para as plantas, a bioacumulação desses metais no solo diminui a fertilidade e podem torná-lo improdutivo. A existência de cromo provoca nas plantas o amarelamento, impedindo o crescimento e provocando a morte das mudas.

Segundo a pesquisadora Maria Olimpia, a dosagem do húmus de minhoca ainda pode ser usada para corrigir deficiências de cobre e chumbo nos diferentes tipos de terras, conforme a necessidade de cada cultura.

Nas pesquisas iniciais, foram utilizados 25% de húmus de minhoca para 75% de solo contaminado. Com esse percentual, os cientistas conseguiram eliminar totalmente a contaminação. A pesquisadora Maria Olimpia explica que o processo, no entanto, não retira os metais do local. “Os elementos tóxicos continuam no solo, mas ficam imobilizados. Eles não ficam disponíveis para as plantas, nem para serem carregados e levados ao lençol freático”, explicou a pesquisadora, que ressaltou a necessidade de monitoramento constante dos solos após a descontaminação.

O procedimento usado pelos pesquisadores foi deixar o esterco compostado por três meses. “Através da ação conjunta de bactérias, a compostagem vai transformando o esterco bovino em um material mais estabilizado”, disse.

O próximo passo foi adicionar minhocas, que se alimentam do composto e expelem o húmus. “Esse material tem muitas propriedades, que ajudam na fertilidade do solo”. A aplicação do vermicomposto no solo contaminado eleva a capacidade de troca catiônica, que é o quanto o solo consegue trocar cátions com o meio.

“Se você tem um solo com elevada capacidade de troca catiônica, ele tem maior possibilidade de liberar os cátions retidos no solo e absorver aqueles que são perigosos, como o cobre, chumbo e cromo”, disse. Assim, explicou, após o uso do vermicomposto em solo contaminado, as espécies metálicas (cobre, chumbo e cromo) ficam retidas, de uma forma que tornam-se indisponíveis no meio ambiente.

Uma das vantagens do novo método de descontaminação é que a imobilização de metais que contaminaram os solos impede que os tóxicos sejam levados aos lençóis freáticos pela chuva. “O risco para a saúde humana na água é ainda maior que a contaminação no solo, porque os metais espalham-se facilmente pela água”, disse Maria Olimpia. Ela explicou que a ingestão de cromo em quantidades elevadas pode provocar câncer, e que o chumbo, em mulheres grávidas, pode gerar malformação de fetos.

Segundo Leandro, o estudo, tema da sua tese de mestrado, foi feito apenas em laboratório e teve início em março de 2010. O próximo passo dos pesquisadores será testar o vermicomposto em campo, e tentar reduzir a proporção da quantidade de húmus empregada. Além disso, os cientistas pretendem examinar a fitotoxidade dos solos, ou seja, irão plantar sobre a terra descontaminada por meio do vermicomposto para verificar se os metais foram ou não sugados pelas plantas.

Fonte: Ciclo Vivo  

Por que criança e consumismo não combinam?



“Um dos maiores desafios da contemporaneidade é reverter o cenário atual: antes de sermos formados para a cidadania, somos treinados a consumir de forma desenfreada”. Este é um dos trechos da cartilha “Consumismo Infantil: na contramão da sustentabilidade”, lançada no dia 31 de outubro pelo Ministério do Meio Ambiente. O material é destinado a crianças, pais, professores e educadores, e traz informações importantes para a reflexão sobre os valores que a sociedade passa a quem vai enxergar e conduzir o mundo no futuro.

A cartilha oferece uma série de argumentos e dados para explicar por que criança e consumismo não combinam. Primeiro, como é destacado, “ninguém nasce consumista. O consumismo é um hábito que se forma a partir de valores materialistas”.

Depois, as crianças não estão preparadas para lidar com relações de consumo. “A criança não deve ser alvo do mercado nem iniciada no mundo do consumo sem que seja educada para isso”. Ou seja, a educação não é o consumo. Ela vem antes, justamente para que o consumo se transforme em um ato consciente e crítico.

A responsabilidade por uma boa educação deve ser de todos, compartilhada por uma sociedade que, se for mais saudável, forma pessoas melhores. “Essa nova realidade exige reflexões profundas. Muitas vezes encontramos respostas na educação – conceito amplo e de responsabilidade compartilhada, que não se dá só em casa ou na escola, mas também nas ruas e nas diversas mídias”.

A mídia

Um dos pontos de destaque da cartilha é sobre a publicidade voltada para o público infantil – alvo preferencial de apelos comerciais e ações de marketing. “Como explicar a um pequeno que a embalagem de plástico daquele bolo que traz a divertida figura de seu personagem favorito da TV, somada às embalagens consumidas por seus coleguinhas e todas as crianças do mundo, gera um impacto acumulado no meio ambiente? Como levá-lo a compreender que seu brinquedo pode ter sido produzido em condições de desrespeito ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores?”. São muitos pontos envolvidos na produção de bens de consumo que formam a lógica da sociedade em que vivemos - capitalista e, portanto, materialista – e que estão fora do alcance do entendimento infantil.

Aumento exacerbado do consumo, aumento da geração de resíduos, obesidade infantil, “adultização” da infância e erotização precoce, consumo precoce de álcool e tabaco, diminuição das brincadeiras criativas, violência e estresse familiar são alguns dos problemas citados na cartilha que são potencializados “em decorrência da alta exposição de crianças a mensagens mercadológicas”.


Algumas dessas consequências são facilmente identificáveis em uma sociedade como a brasileira, em que as crianças assistem, em média, mais de 5 horas de televisão por dia, segundo dados do Ibope 2011 – um dos maiores índices do mundo. “Essa exposição excessiva contribui para o consumismo, já que a televisão é o principal canal de veiculação de campanhas comerciais que falam diretamente com as crianças”, argumenta a cartilha.

A obesidade infantil já atinge 15% da população infantil no Brasil. “O aumento está vinculado ao aumento do consumo de alimentos industrializados, amplamente divulgados pelo mercado produtor e distribuidor”. E menos de 40% das crianças entre 5 e 10 anos consumem frutas, legumes e verduras na dieta alimentar, segundo o Ministério da Saúde. “Os alimentos industrializados carregados nas lancheiras e oferecidas nas cantinas, os brinquedos eletrônicos produzidos sem respeito às legislações ambientais e de trabalho e a preocupação excessiva com o acesso a bens materiais são apenas alguns dos fatores que contradizem todo o esforço de uma educação para a sustentabilidade”.

A cartilha também oferece dicas para a abordagem do assunto “consumo” com as crianças e propostas para tornar as brincadeiras infantis mais saudáveis, lúdicas e criativas, sem tantos aparatos tecnológicos que muitas vezes mediam o olhar da criança para o mundo.

Fonte: Superinteressante

Brasília testa ônibus elétrico chinês para a Copa de 2014


De olho no meio ambiente e na Copa do Mundo 2014, a capital federal vai testar um ônibus 100% movido a eletricidade. Nos próximos três meses, especialistas da Universidade de Brasília (UNB) e população poderão avaliar a eficiência do veículo que, além de usar fonte de energia renovável, promete reduzir a poluição sonora.

Fabricado na China, onde circulam cerca de 1,8 mil ônibus elétricos, o modelo funciona com um conjunto de baterias de 538V, que garantem ao coletivo percorrer até 150 quilômetros numa única recarga.

Cada bateria leva de uma a três horas para ser recarregada e tem vida útil de pelo menos cinco anos. O ônibus possui ar-condicionado e capacidade para transportar 60 pessoas - 28 sentadas, 31 em pé e um espaço para cadeirante.

Se o desempenho do ônibus elétrico agradar, a intenção é trazer para Brasília a fábrica que produz o veículo ecológico, para modernizar o sistema de transporte urbano.

A introdução de veículos elétricos e híbridos no transporte coletivo também faz parte do acordo celebrado entre o governo do Distrito Federal e a Federação Internacional de Futebol (FIFA) para a Copa do Mundo de 2014. A meta é que essa frota transporte torcedores e turistas do aeroporto ao Setor Hoteleiro e ao Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

Fonte: Planeta Sustentável 

Engenheiro suíço cria avião movido a energia solar


A paixão por invenções e aventura está no sangue do suíço Bertrand Piccard. O avô Auguste projetava balões capazes de atingir grandes altitudes e o pai Jacques tornou-se um dos primeiros homens a explorar as partes mais profundas do oceano.


Em pleno século XXI, o representante da terceira geração da família se interessou por uma nova conquista. Ele deseja projetar uma aeronave integralmente abastecida por energia solar, capaz de dar a volta ao mundo.

Ao lado do engenheiro e piloto alemão André Borschberg, Bertrand Piccard lançou o projeto Solar Impulse, em 2003, e desde então estabeleceu parcerias com a Escola Politécnica de Lausanne, na França, a Agência Espacial Europeia e a fabricante francesa de aviões civis e militares Dassault. Após alguns anos de muitas pesquisas, a dupla projetou o HB-SIA, um avião que realizou seu primeiro voo em abril de 2010.

A prova de fogo aconteceu em julho daquele ano, quando Borschberg conduziu a aeronave durante a noite. Após 26 horas, 10 minutos e 19 segundos no ar, o avião abastecido por placas solares conseguiu completar seu primeiro voo noturno com sucesso. Agora, a Solar Impulse inicia a construção de sua segunda aeronave, a HB-SIB, que planeja completar a volta ao mundo sustentável em 2014. A conferir!


Painéis: cerca de 11,5 mil células de silício foram instaladas para capturar a energia solar.

Envergadura: com 63,4 metros, as asas têm tamanho semelhante às de um Airbus A340.

Leve: Com 1,6 mil quilos, o peso do avião se compara ao de um carro.

Durante a noite, o HB-SIA voa em uma altitude de 1,5 mil metros, com velocidade de 45 quilômetros por hora para economizar a energia armazenada em baterias.

Fonte: Planeta Sustentável 

Se aprovado, projeto de lei de SP garantirá vagas para bicicletas em estacionamentos


Com o grande crescimento do ciclismo urbano, as cidades precisam se readaptar a esse novo meio de transporte. Na cidade de São Paulo, a ciclofaixa foi ampliada, e agora possui 89km. O novo circuito vai da Avenida Paulista até o Centro histórico da capital, passando por pontos como a Praça da República, Estação da Luz e Mosteiro de São Bento.

Para complementar essa medida, o projeto de lei do vereador Marco Aurélio Cunha- que prevê espaços reservados para bicicletas em estacionamentos da capital paulista e já foi aprovado pela Câmara Municipal - seria muito bem vindo. Só falta a aprovação do prefeito Gilberto Kassab.

Se receber o aval da prefeitura para entrar em vigor, estabelecimentos comerciais, shoppings, edifícios, condomínios e estacionamentos em geral terão que reservar entre 5 a 10% de vagas exclusivamente para bicicletas.

Em 2005, foi aprovada uma lei municipal que visa a criação de bicicletários em locais públicos, como parques, museus e centros de ensino. Porém, devido a falta de fiscalização, muitos lugares acabam burlando essa lei.

Para não deixar que mais um projeto caia no esquecimento legislativo, alguns ciclo ativistas se reuniram e criaram um abaixo assinado on-line, que visa mostrar às autoridades o interesse da população em apoiar esse projeto de lei e fazer com que o documento seja aprovado rapidamente. A petição já conta com mais de 2225 assinaturas.

Fonte: Planeta Sustentável 

McLaren fornecerá motores para campeonato de carro elétrico


A McLaren Electronic Systems Limited anunciou nesta segunda-feira que será a fornecedora dos motores, transmissões e sistemas eletrônicos dos carros que participarão, em 2014, do recém-criado Campeonato de Fórmula E.

De acordo com comunicado emitido pela escuderia britânica, a partir de agora, a McLaren trabalhará junto com a ''Spark Racing Technology'', companhia que fabricará os carros elétricos da competição.

A nova competição, organizado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), começará a ser disputada em 2014, com carros projetados com energia elétrica em circuitos urbanos das principais cidades do mundo.

Fonte: Exame.com  

Organizações dizem que Brasil desperdiça potencial de energia limpa


Relatório elaborado por organizações não governamentais, divulgado nesta segunda-feira (12), aponta que o Brasil não aproveita seu potencial de geração de energia solar e eólica devido à falta de infraestrutura.

De acordo com o documento “O setor elétrico brasileiro e a sustentabilidade no século 21: oportunidades e desafios”, produzido por especialistas da área ambiental e técnicos de ONGs como WWF, Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA), gargalos técnicos impedem o crescimento dessas modalidades consideradas limpas.

O texto diz que a falta de estrutura para transmissão e distribuição de energia eólica inviabiliza a instalação de mais torres pelo país. Segundo dados do Atlas Eólico Brasileiro, o país tem potencial para gerar 143 GW apenas com a força dos ventos, número que é 12 vezes maior que a capacidade instalada da futura usina hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, no Pará.


Outro entrave citado no documento está ligado à falta de mão-de-obra e de tecnologias para suprir o setor, o que inviabilizaria uma “arrancada” na expansão desta forma de geração de eletricidade. Sobre a energia solar, o relatório aponta que se fosse aproveitada a luz solar para consumo elétrico em menos de 3% da área urbanizada do Brasil, seria possível atender a 10% de toda a demanda atual de energia elétrica do país.

No entanto, projetos do governo que implantam placas solares em regiões distantes dos grandes centros consumidores torna inviável economicamente a construção de redes de transmissão. “Os maiores entraves ao aproveitamento e à expansão da energia solar no Brasil seguem sendo a falta de incentivos e políticas públicas que consolidem a indústria e o mercado”, informa o documento.


Desperdício e custo maior ao consumidor

O texto faz críticas à política brasileira de geração de energia por hidrelétricas e aponta possíveis prejuízos ao meio ambiente e a culturas indígenas devido a implantação de empreendimentos na Amazônia.

O relatório afirma também que o país tem registrado grandes perdas de quantidades de energia elétrica devido a problemas no sistema de transmissão elétrico. Baseado em dados Tribunal de Contas da União (TCU), o documento diz que em 2004 as perdas técnicas (causadas pelas peculiaridades do sistema) e comerciais (por exemplo, instalação de "gatos") de energia no país foram de 20,28% do total gerado.

O índice supera em muito os registrados em países vizinhos como Chile (5,6%) e Colômbia somadas (11,5%%) no mesmo período. Ainda segundo o relatório, tais perdas teriam causado um reajuste de ao menos 5% na tarifa ao consumidor.


Perda é inevitável, diz operador nacional

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a perda técnica é inevitável e está associada ao processo de transmissão. Segundo o órgão, o aquecimento dos cabos durante as transmissões provoca tais extravios, considerados naturais e com índices que se igualam a padrões mundiais.

Sobre as perdas comerciais, o ONS afirma que é um problema que deve ser resolvido pelas distribuidoras, já que seriam provocadas por vários fatores, entre eles, ligações clandestinas (conhecidas como gatos) em diversas cidades.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre 2007 e 2010 as perdas técnicas de energia no país atingiram índice de 7%. A Aneel não divulgou o percentual de perdas comerciais para o mesmo período.

Fonte: Globo.com