quarta-feira, 10 de outubro de 2012

USP elabora concreto a partir de resíduos industriais que iriam para aterro



O Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP de São Carlos criou uma forma de reaproveitar materiais para a fabricação de concreto, que é formado por cimento, areia, pedra e água.

No novo material, 70% da areia utilizada pode ser substituída por areia de fundição, utilizada em moldes nos processos de fundição de peças metálicas. Já a pedra é 100% substituída por escória de aciaria, resíduo que sobra da produção do aço.

Uma das principais vantagens do produto é que ele demanda uma quantidade menor de recursos naturais para ser feito e tem diversas aplicações, como fabricação de elementos para a construção civil (peças para pavimentação, guias, blocos para alvenaria de vedação e mobiliário urbano) e na construção de calçadas e contrapisos.

A outra vantagem é que o novo concreto utiliza materiais que são restos de outros processos e seriam jogados em aterros industriais específicos, por serem nocivos ao meio ambiente. “O produto se utiliza de resíduos sólidos industriais, fazendo uma reciclagem e dando uma nova utilização para eles, o que propicia a economia de recursos naturais”, diz o engenheiro de materiais Javier Mazariegos Pablos, responsável pelo projeto.

O material já tem um número provisório de patente, registrado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Nos próximos meses, se for verificado que não existe outro produto com as mesmas características no mundo, o concreto receberá a patente definitiva.
A ideia do grupo é transformar o novo concreto em produto comercial – o preço também é atrativo para a indústria, pois deverá ser menor do que os materiais convencionais que já estão no mercado.


Fonte: Exame

A corrida verde chega aos céus


Grandes fabricantes de aeronaves ou pequenas empresas de tecnologia. Todos buscam o combustível verde para reduzir as emissões de carbono do setor aéreo.



Boeing: tanques abastecidos com uma mistura de óleo diesel e óleo de cozinha.
Na trilogia cinematográfica "De Volta para o Futuro", um clássico dos anos 80, o personagem vivido pelo ator Michael J. Fox viaja pelo tempo a bordo de um DeLorean, carro esportivo que era abastecido com lixo e voava. Os carros ainda não voam, mas o lixo já está movendo aviões — ou quase. Na corrida pelo combustível verde para aviação, vale qualquer tipo de matéria-prima.

Plástico reciclável, serragem, palha, óleo de cozinha e algas são algumas das opções que estão sendo estudadas para entrar no tanque dos aviões. A pressão por alternativas sustentáveis tem recaído sobre os principais fabricantes do setor e não para de aumentar. Proporcionalmente, os aviões são o meio de transporte que mais polui.

As cerca de 17 000 aeronaves comerciais em atividade no mundo respondem por 2% das emissões dos gases de efeito estufa. Os cerca de 1 bilhão de carros em circulação, por sua vez, respondem por 15% dos poluentes.

A meta do setor é reduzir as emissões de carbono em 50% em 2050, tendo como base o ano de 2005, de acordo com a Associação Internacional do Transporte Aéreo. Como é comum quando o assunto é meio ambiente, os europeus deram os primeiros passos.

No ano passado, a Comissão Europeia, companhias áreas e fabricantes de biodiesel assinaram um pacto para produzir 2 milhões de toneladas de combustível sustentável até 2020, o que equivale a 14% do consumo de querosone de aviação na Europa. Com base nesse compromisso, em março a francesa Airbus entrou num consórcio com empresas australianas para estudar o potencial do eucalipto para a fabricação de biocombustível.

Em abril, um 787 da concorrente americana Boeing cruzou o Pacífico com os tanques abastecidos com uma mistura de diesel e óleo de cozinha reutilizável. O mais recente anúncio nessa área ocorreu no dia 24 de setembro. A Airbus e a petrolífera chinesa Sinopec assinaram um acordo para desenvolver um combustível mais verde de biomassa e óleo reciclado.

No Brasil, desde 2005 a Embraer fabrica aviões agrícolas que são abastecidos com etanol. O combustível, porém, não é considerado o ideal para jatos por apresentar dificuldades técnicas. O poder calorífico do  produto (a quantidade de energia por unidade de massa) é bem menor do que o do querosene, o que reduz a autonomia de voo.
Fora isso, como o etanol exige adaptações no motor, acaba elevando os custos. Atualmente, a fabricante brasileira, em parceria com a americana Boeing e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, estuda outras alternativas, como o bagaço de cana.
Atraídas pelas oportunidades criadas pelo setor aéreo, até empresas de pequeno porte estão investindo numa solução verde. A irlandesa Cynar, por exemplo, criou um diesel para aviação a partir de plástico reciclado — vale desde utensílios domésticos até embalagens de salgadinho.

O material é derretido em altíssimas temperaturas e os gases expelidos no processo são convertidos em combustível líquido. Para cada tonelada de lixo plástico é possível extrair 662 litros de diesel. Em novembro, o combustível da Cynar deverá fazer seu primeiro grande teste. Um pequeno avião Cessna fará a rota de Sydney, na Austrália, a Londres, no Reino Unido.

“A vantagem do nosso produto é que ele é menos poluente e ainda reduz a quantidade de lixo no meio ambiente”, diz Michael Murray, presidente da companhia, que esteve no Brasil no começo de setembro para apresentar a tecnologia. Nas Filipinas, a empresa Polygreen desenvolveu outra versão verde a partir do plástico, cujo preço seria 20% menor que o do querosene comum de aviação.

Nos Estados Unidos, a Swift Fuels criou um biodiesel de um tipo de grama com alta capacidade de conversão em energia. “Nossa alternativa é menos poluente e reduz a dependência dos países que importam petróleo”, diz Chris D’Acosta, presidente da Swift. Além da gritaria dos ambientalistas, há um incentivo financeiro para a adoção de uma opção sustentável no setor aéreo.

Nas últimas duas décadas, o preço do querosene multiplicou por 6. Medidas adotadas desde a década de 70 para aumentar a eficiência  energética, como novos motores, têm surtido efeito. Com a mesma quantidade de passageiros e querosene, voa-se o dobro da distância. Apesar disso, os gastos com combustível ainda são o maior custo das companhias aéreas.


Fonte: Exame

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Saneamento Básico: Como Eliminar os Gargalos e Universalizar os Serviços


Cresce número de casas e prédios com certificação de habitação sustentável


O Processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental) para edifícios habitacionais foi lançado, em 2010, e desde então já conta com um portfólio de 27 prédios, incluindo um conjunto de 80 casas para a faixa de renda de três a dez salários mínimos.

O AQUA é uma certificação internacional da habitação sustentável, desenvolvido e adaptado à cultura, clima, normas técnicas e regulamentação brasileiros, pela Fundação Vanzolini.

Em 2010 e 2011 foram três empreendimentos em cada ano e, em 2012, esse número saltou para 11 lançamentos. Esse crescimento demonstra que o mercado possui um perfil de clientes exigentes quando o assunto é moradia.

A certificação de edificações habitacionais mostra que a consciência e as exigências dos empreendedores e clientes evoluíram. Junto a isso, os avanços na tecnologia, a normalização e a regulamentação impulsionaram o aperfeiçoamento de novos referenciais técnicos e do próprio processo de certificação AQUA.

Além do crescimento nos números de habitações, o Processo AQUA registra no total – incluindo todas as modalidades de edificações – a certificação de 80 empreendimentos. O professor Manuel Martins, coordenador executivo do Processo AQUA, afirma que toda a construção é analisada.

“O processo não prescreve sistemas ou processos construtivos, nem soluções, nem materiais, pré-definidos, mas, um projeto coerente, com desempenho ambiental, condições de conforto e saúde. O processo avalia o planejamento e o projeto do empreendimento, a execução e a operação, quando o usuário passa a ocupar a edificação, e pode alcançar até o final da vida útil, na fase de desconstrução ou requalificação", explica Martins.

O Processo AQUA contém o referencial técnico para bairros e loteamentos que foi adaptado da experiência do Rive Gauche, bairro de Paris e outras obras, a partir das quais foi desenvolvido o HQE (Haute Qualité Environmentale) Aménagement na França. Adaptado à cultura da construção brasileira, esse referencial tem o objetivo de melhorar a qualidade urbana e territorial e contribuir com a mudança do modelo de desenvolvimento das cidades locais.

Fonte: Ciclo Vivo 

Dispositivo gera energia a partir de musgos


A Moss Table é um produto-conceito que surgiu nas mãos de cientistas e designers da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. O projeto utiliza a biotecnologia fotovoltaica (BPV), sistema que aproveita as sobras da fotossíntese dos musgos para gerar eletricidade. A energia produzida na mesa chega até 520 joules, o suficiente abastecer um relógio digital. O novo produto foi aprovado pelo público e pelos especialistas nas feiras de design da Europa.

O projeto ainda é experimental e não há previsão para que a mesa de musgos comece a ser produzida em massa. Porém, segundo Carlos Peralta, um dos desenvolvedores, a Moss Table antecipa as próximas tendências em geração de energia limpa. “Ela nos aponta uma realidade em que os objetos híbridos, autossustentáveis e orgânico-sintéticos à nossa volta providenciarão nossas necessidades diárias de uma maneira limpa e amigável com o meio ambiente”, diz Peralta.

A Mesa Musgo faz parte do Design and Science, projeto que viabiliza a união entre designers e cientistas para acelerar as descobertas de novas tecnologias. Os estudos são coordenados pelos mesmos criadores da mesa, Carlos Peralta e Alex Driver, do Institute of Manufacturing, da Universidade de Cambridge.

Os musgos fazem parte da família das briófitas, plantas que não possuem vasos condutores de seiva e que têm um importante papel na natureza, pois, além de acumular muitos nutrientes energéticos nas suas células, ainda reduzem o processo de erosão e oferecem abrigo para os microorganismos e para outras plantas que estão em processo de regeneração.

Entenda como funciona
O projeto utiliza a biotecnologia fotovoltaica (BPV), sistema que aproveita as sobras da fotossíntese das plantas para gerar eletricidade. Os dispositivos de captação de carga energética ficam instalados na base da mesa, ao lado dos recipientes que contêm os musgos.

Fonte: Ciclo Vivo  

Governo do Tocantins retira apoio a projeto de safári africano no Jalapão


Esta poderia fazer parte de uma série das “ideias verdes maquiadas” – aquelas que aludem à preservação ambiental, mas não têm nada de sustentáveis. A proposta do chamado Out of Africa Brasil (OOAB) é transportar animais da África para o Brasil e criar um safári no Jalapão, região turística do Tocantins.


O projeto é encabeçado pela Conservação de Animais Silvestres e Proteção do Meio Ambiente S.A, empresa recém-criada em Palmas/TO, e considerado “ousado e arrojado em todos os aspectos”, de acordo com um vídeo promocional que tem provocado polêmica desde que vazou na internet (assista abaixo).

O material traz algumas pérolas do tipo: “agora já podemos sentir o coração da África no Tocantins” e “o conceito de safári já não pertence mais somente à África, é um tesouro mundial”.

A proposta do Out of Africa Brasil é acomodar em uma área de 100 mil hectares de Cerrado 400 animais (dentre eles os chamados cinco “grandes”: elefante, rinoceronte, leopardo, búfalo e leão) trazidos de regiões da savana africana.

Em entrevista ao Estadão, Nicolau Esteves, presidente do OOAB, diz que o projeto não é fazer um parque, onde os animais são alimentados. “Ali não. Vai ser a cadeia natural mesmo. O leão come a zebra, a hiena come a carcaça. A cadeia natural está sendo muito estudada”. E completa: “Eles são um pouco mais inteligentes que a gente, né? Eles não se autoexterminam igual a gente. Eles são muito educados, caçam só para se alimentar e não passa disso”.


Uma apresentação divulgada em reportagem do site ((o))eco mostra que empresas como Shell, Mobil, Toyota e Engel patrocinam a ideia, que tem investimento previsto de R$350 milhões. Nela, a criação do safári é tratada como “um empreendimento mundial sem precedentes”. Ou seja, retirar animais de seu habitat natural e alterar a fauna local virou empreendimento, que traz “retorno financeiro para os empreendedores”, como reforça o vídeo.

Mas não para por aí: o objetivo final é fazer desse ambiente artificialmente construído um reduto de turismo de luxo, com a construção de um complexo hoteleiro com três resorts próximos à área do safári, para que os turistas possam aproveitar a vista nacional como se estivessem na África. São hotéis com diárias que variam de R$700 a R$1.000 por pessoa, anunciados como referência em serviço e gastronomia para proporcionar aos hóspedes “um convívio de perto com a vida selvagem”.

A repercussão

A ideia de chamar a atenção de forma positiva para a “intenção” de preservar o meio ambiente teve efeito contrário. A Associação Tocantinense de Biólogos (Atobio) elaborou um abaixo-assinado contra o safári (que tem pouco mais de 2 mil assinaturas até agora) e o governo do Estado retirou o apoio ao projeto.

A nota foi publicada na semana passada e diz: “Apenas pela rejeição provocada nos meios ambientais federais e pela própria sociedade, o Governo não vê viabilidade na implementação do referido projeto como ele foi aventado. Tendo em vista a participação de empreendedores internacionais, o governo espera que os mesmos mantenham sua disposição em investir no Tocantins, desde que em projetos viáveis e em consonância com a sustentabilidade e respeito ao meio ambiente”.

Essa é a boa notícia da história. Mesmo assim, é essencial continuar contestando ideias malucas insustentáveis como esta. Para preservar, é mais importante deixar os animais africanos na África e elaborar projetos locais de turismo sustentável, que privilegiem a educação ambiental e preservação da fauna brasileira, sem tratar a natureza como negócio. 

Fonte: Superinteressante 

Curso de Perícia Ambiental AESabesp