segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Artista italiano pinta grafite que absorve a poluição do ar


Cada metro quadrado da tinha especial da "Philosofical Tree" é equivalente a retirar oito carros das ruas


Philosofical Treena cidade de Bolonha, na Itália: obra absorve o monóxido de nitrogênio do ar ambiente.

Diante de uma paisagem urbana carente de verde, o artista de rua italiano Andreco arriscou um substituto. E o seu grafite representando uma árvore vai além de evocar a natureza ausente: o vegetal pintado também "purifica" o ar.
Trata-se da "Philosofical Tree”, uma árvore de 18 metros que diminui a poluição da atmosfera. Para isso foi usada um tipo especial de tinta em sua criação, chamado fotocatalítico, que absorve o monóxido de nitrogênio do ar ambiente (a mistura de neblina e fumaça que conhecemos como poluição).

De acordo com o artista, cada metro quadrado pintado é equivalente a retirar oito carros das ruas. A obra está na lateral de um edifício em Bolonha, na Itália, e foi criada como parte do Frontier Project, que tem como objetivo descobrir novas formas de arte de rua.

Ainda que o projeto tenha forte simbologia, é importante não esquecer das medidas concretas para combater a poluição da natureza, alertou o artista em seu blog. "Este é apenas um trabalho de arte conceitual, não uma solução. Para uma melhor qualidade do ar precisamos usar menos carros, abandonar os combustíveis fósseis e investir em energia renovável, agora".



Fonte: Exame

Acupuntor já plantou mais de 2 milhões de árvores


Alexandre Chut é um profissional formado em psicologia e acupuntura, porém é mais conhecido como “O plantador de árvores”. Morador de São Paulo, ele se empenha e deixar as cidades mais verdes desde 1987.

Desde então, ele já plantou dois milhões e duzentas árvores, além de preservar um milhão e meio de árvores em duas reservas florestais na região da Serra da Mantiqueira, localizada entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O acupuntor também promove encontros, palestras e cursos sobre gestão ambiental.

Seu trabalho já foi desenvolvido em mais de 15 países. Inclusive, convidado pela Prefeitura de Nova Iorque, ele participou da "Planting Day" no Parque Van Cortlandt, Bronx, em 2010. Na ocasião foram plantadas 20 mil árvores.

Presidente do Conselho de Administração do Instituto Plant+Ar, uma organização sem fins lucrativos, o paulistano Chut acredita que “as pessoas têm pouca memória de como era a cidade antes e como ela está agora. A cidade já foi arborizada. O objetivo é trazer o verde de volta”.

Chut começou a plantar árvores e ao longo do tempo percebeu que sua ação não era suficiente, logo passou a desenvolver um trabalho educacional com as pessoas. A partir daí, coemeçou a investir 80% do seu tempo educando desde pessoas comuns até educadores, ONGs, políticos, inclusive, conversou com alguns prefeitos. Tudo isso para ensiná-los e estimulá-los a trazer as árvores novamente para as cidades.

O estímulo do acupuntor é saber que suas ações serão sentidas principalmente pelas futuras gerações. “Não é pra gente, são para as pessoas que ainda nem nasceram. Para que elas recebam este presente”.

No vídeo abaixo gravado pelo GreenFest Brasil, o acupuntor Alexandre Chut mostra a importância do plantio de árvores nas cidades.




Chut será mediador em um dos debates que acontecerão nas mesas de discussões do GreenFest, sob o tema Cidade Sustentável. O festival acontece entre os dias 9 e 11 de novembro, no BioParque de Curitiba, uma área com 52 mil m2 de mata preservada. Para mais informações curta a página do GreenFest Brasil no Facebook ou acesse o site www.greenfest.com.br.


Fonte: CicloVivo

De onde vem essa energia?


Três maneiras inusitadas de gerar eletricidade de forma limpa
 
  
1. De uma calça

Já pensou em utilizar toda a energia que você gasta durante a prática de exercício físico para abastecer o aparelho MP3? Os designers lituanos que criaram a Dance Pants Kinetic Music Player já. Trata-se de uma calça capaz de transformar em eletricidade a energia cinética. A energia gerada viaja a partir de um disco do tamanho de uma moeda próximo ao tornozelo da calça até o bolso da frente, onde fica o aparelho de MP3. Dessa forma, os aparelhos eletrônicos são recarregados com energia limpa, sem afetar o meio ambiente. Não só o usuário se certifica que haverá bateria suficiente para terminar sua corrida como é estimulado a se exercitar a fim de ouvir suas músicas preferidas. De acordo com os designers Inesa Malafej e Arunas Sukarevicius, "essa é uma maneira 100% interativa para que as pessoas possam realmente sentir o valor da energia".



2. De um telhado

Com a ajuda de telhas de vidro, o telhado de uma casa pode ser um captador solar e ajudar a aquecer a casa sem o uso de aparelhos elétricos. Elas são instaladas sobre uma tela preta de nylon, e a cor escura absorve o calor e faz o ar circular pelas fendas da telha. Depois, o ar quente é direcionado aos acumuladores para aquecer a água. O sistema chega a gerar 350 kWh de calor por metro quadrado, dependendo do ângulo em que as telhas são dispostas, do clima e da latitude locais. O sistema de aquecimento foi desenvolvido pela empresa sueca Sol¬Tech Energy e tem custos operacionais baixos e geração de energia limpa.



3. De uma torneira

O sistema de tubulação ES Pipe Waterwheel permite gerar energia cada vez que a torneira é aberta. A tubulação foi projetada pelo coreano Ryan Jongwoo Choi para usar o fluxo de água a fim de ligar um conjunto de minigeradores. A inspiração veio dos moinhos, utilizados há centenas de anos para aproveitar a energia cinética da água para moer grãos, irrigação, drenagem e geração de eletricidade. Como há pequenos moinhos no interior do cano, eles se movimentam produzindo energia elétrica, armazenada em lâmpadas removíveis. Assim que carregadas, as lâmpadas podem ser retiradas e utilizadas.




Fonte: Planeta Sustentável

6 dicas para reduzir (por conta própria) os gastos com luz


Soluções simples podem ajudar a cortar despesas com a conta de luz, no escritório ou em casa, poupando o planeta e o seu bolso


A partir de 2013, a energia elétrica vai ficar até 16,5% mais barata para os consumidores residenciais, conforme anúncio feito nesta semana pelo governo. Mas é possível ir além, adotando, por conta própria, medidas simples, no dia-a-dia, em casa ou no escritório. Com base em cartilhas da Secretaria de Saneamento e Energia de São Paulo, da Aneel e da UFSCar, preparamos seis dicas para ajudar a poupar o planeta e o seu bolso.

1 – Quer poupar? Deixe a luz entrar

Utilize ao máximo toda a luz natural (e gratuita!) que incide em casa ou no escritório. Durante o dia, mantenha janelas, cortinas e persianas abertas, permitindo a ampla passagem da luz solar. Para aumentar a claridade de um ambiente, utilize cores claras nas paredes internas e no teto. Outra dica é orientar a limpeza de casa e principalmente a do escritório (que em muitos costumam acontecer à noite), para os primeiras horas da manhã, a fim de aproveitar a iluminação natural.

2 – Iluminação artificial

Opte sempre por lâmpadas fluorescentes ou, pelo menos, utilize em ambientes que necessitam de maior iluminação. A economia é garantida: duas lâmpadas fluorescentes de 20 watts iluminam mais que uma incandescente de 100 watts. Dê preferência às que possuem o Selo Procel Inmetro de Desempenho.

Desligue a iluminação de ambientes desocupados ou que seja estritamente decorativa. Equipamentos como “dimers”, que controlam a intensidade da luz, e sensores de presença, que se acendem somente quando há circulação de pessoas, podem ser usados, resultando em significativa economia energética.

3 – De olho na energia “vampirizada”

Uma causa muito comum do aumento na conta de energia elétrica é a "fuga" de energia, uma espécie de “vazamento de eletricidade” que pode representar até 30% do consumo de luz no fim do mês. Emendas mal feitas, conexões frouxas, fios desencapados ou com isolamento comprometido pelo tempo são uma de suas principais causas. Outro vilão são equipamentos eternamente ligados na tomada por esquecimento.

Para descobrir se existe fuga de corrente no escritório ou em casa faça o seguinte: Desligue a iluminação e todos os equipamentos das tomadas. Com ajuda do zelador ou administrador do edifício, verifique se o disco do medidor continua girando.
Em caso afirmativo, existe fuga de corrente. Para identificar a origem da fuga, desligue a chave geral. Se o disco parar de girar, o problema está na instalação elétrica. Para resolvê-lo procure o serviço de um técnico especializado.

4 - Eletrodomésticos podem ser aliados

Sempre que possível, opte por eletrodomésticos que levam o selo Procel, que indica os equipamentos com menor consumo energético. Leve em consideração antes de adquirir um aparelho as opções que consumam menos watts. Em casa ou no escritório, tire os aparelhos eletrônicos da tomada quando estão fora de uso, principalmente televisão, aparelhos de DVD/Blue-Ray e de som. Alguns aparelhos precisam de atenção especial:

Geladeira - Mantenha a geladeira em local ventilado para facilitar a troca de calor pelos radiadores. Não forre prateleiras com filmes plásticos, que dificultam a circulação de ar em seu interior. Evite deixá-la aberta por muito tempo e mantenha em boas condições a borracha de vedação da porta. Geladeiras em más condições podem ser responsáveis por até 70% da conta de luz.

Ar-condicionado - Quando comprar um aparelho de refrigeração, procure dimensionar o espaço que ele ocupará e o seu potencial refrigerador. Existem tabelas para este cálculo nas lojas, é só perguntar para o vendedor. Lembre-se de conferir se o aparelho possui selo de eficiência energética. Na instalação, não deixe o aparelho em lugares quentes, próximo de equipamentos elétricos ou sob a luz do sol. Isso força o desempenho e consome mais energia.

O ideal é instalá-lo de frente para a maior dimensão do ambiente, o que facilita o processo de refrigeração. Você pode desligar o ar condicionado meia hora antes do fim do expediente e também durante o almoço, que a sala ainda permanecerá climatizada. Mantenha as portas e janelas fechadas, de forma a impedir a entrada de ar quente de fora.

Chuveiro elétrico - Nos dias quentes, use o chuveiro com a chave na posição verão. Na posição inverno o consumo de energia é 30% maior. Nunca reaproveite resistência queimada, pois aumenta o consumo de energia e não é seguro. Estude a possibilidade de instalar um aquecedor de água por energia solar, que, atualmente, possuem preços mais acessíveis e dispensam grande manutenção. Para baixar o consumo de energia – e de água -– tente reduzir a duração do banho de 20 a 40%.

5 - Computador, notebook e outros eletrônicos

O consumo individual destes equipamentos é no geral baixo (10 kWh/mês em média). No caso dos monitores, os gastos aumentam conforme o tamanho. A maioria dos monitores de 14" atuais consome em torno de 80 W, já os de 17" consomem entre 100 e 110 W, dependendo do modelo.

No entanto, em um escritório com vários computadores a participação no consumo total poderá ser significativa. Procure orientar os usuários a desligá-los quando não forem utilizados por longos períodos e, a utilizar sempre que possível os recursos de economia de energia disponibilizados nas máquinas.

Periféricos como impressora e scanners consomem energia mesmo quando não estão em uso; nesse caso, desligue-os das tomadas, assim como as caixas de som. Evite também deixar os aparelho eletrônicos, incluindo celulares, recarregando durante toda noite. Plugue o carregador somente o tempo suficiente para completar a carga.

6 - Elevadores, só um por vez

Se você mora ou trabalha em um edifício com mais de um elevador, sabe que é bastante comum acionar todos eles ao mesmo tempo. Para economizar energia elétrica e evitar desgaste desnecessário dos equipamentos, o ideal é 'chamar' apenas um. Outra forma de evitar desperdícios é fazê-los atender a grupos diferentes de andares, pares e ímpares por exemplo.

Estude a possibilidade de desligar diariamente, de maneira alternada, um dos elevadores, no horário de menor movimento e utilização (por exemplo, das 22h00 às 6h00 e nos domingos e feriados). Em edifícios residenciais, crianças devem ser orientadas a não apertar todos os botões do painel.



Fonte: Exame



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Como a Copa pode ajudar o tatu-bola a driblar a extinção



Em 2014, não será apenas o título de campeão da vigésima Copa do Mundo que estará em jogo nos nossos campos de futebol. Mas também o futuro de um pequeno e dócil animal genuinamente brasileiro, o tatu-bola. No próximo domingo, durante o programa Fantástico, da TV Globo, o público conhecerá as três opções de nome escolhidas pela Fifa para o bichinho, que será anunciado oficialmente como mascote. Esse episódio marcará o começo de uma longa batalha por sua sobrevivência.

O título de embaixador dos jogos será um divisor de águas para a espécie, que em breve passará da classificação “vulnerável” para “criticamente ameaçada”, na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). “Mas ao ganhar os olhos do mundo, durante a competição, tudo pode mudar”, diz o biólogo Rodrigo Castro, coordenador da campanha que promoveu o tatu-bola como um dos candidatos a mascote.

A sugestão da candidatura foi feita em fevereiro pela ONG Associação Caatinga, sediada no Ceará, que atua em prol da preservação da biodiversidade do bioma na região Nordeste. Para Castro, a grande visibilidade proporcionada pelo evento pode atrair patrocínios vultosos para projetos de conservação do animal. “Meu sonho é daqui a 20 anos olhar para trás e ver que 2014 foi a Copa que salvou o tatu-bola da extinção”, almeja.
Da Caatinga para o mundo

O desafio é grande. Além de só ser encontrado no Brasil, nosso mascote é a menor e a menos conhecida das 11 espécies de tatu do país. Para se ter uma ideia, não se sabe quantos são e onde estão seus indivíduos. Sabe-se, no entanto, que a distribuição da população se restringe à Caatinga e ao Cerrado, regiões onde as ameaças crescem em proporção inversa a do conhecimento sobre a espécie. Segundo maior bioma da América do Sul, depois da Amazônia, o Cerrado já perdeu mais da metade de sua área, e a Caatinga, mais de 60% da cobertura original. “Hoje, as maiores ameaças são o desmatamento, a expansão da agricultura e pecuária”, diz Castro.

Durante muito tempo a caça foi o principal vilão. Quando se sente ameaçado, o animal tem a habilidade de se enrolar e assumir a forma de uma bola, protegendo as partes moles do corpo no interior da carapaça rígida, o que justifica o nome de tatu-bola (veja no vídeo abaixo). Essa peculiaridade é um escudo poderoso contra predadores da natureza, mas que torna o animal uma presa fácil para os humanos. “Ele pode ficar hermeticamente fechado nessa posição por até duas horas. É muito fácil para um caçador pegá-lo com as mãos”, explica o biólogo, destacando que hoje a caça ao animal está restrita a regiões onde ele ainda ocorre, como Tocantins e Goiás.

"Há muito trabalho pela frente", reconhece o biólogo, destacando a necessidade de mais pesquisas para conhecer melhor essa espécie, identificar e promover a conservação de áreas-chave para sua sobrevivência e levar educação ambiental para a sociedade. "É preciso mostrar ao Brasil a riqueza de sua biodiversidade e a Copa 2014 é a oportunidade para deixar esse legado ambiental”, diz. Seria um belíssimo gol de placa.

Um vídeo disponível no You Tube mostra um tatu dessa espécie assumindo a forma de bola ao ser encontrado por um grupo de pessoas. As imagens estão em baixa qualidade: 




Fonte: Exame.com 

Edifício eficiente tem cobertura externa que protege as janelas do sol



O escritório de arquitetura Aedas foi o responsável pelo projeto dos prédios da Sede do Conselho de Investimentos de Abu Dhabi. A construção possui duas torres de 25 andares, design contemporâneo e diversos conceitos sustentáveis.

A primeira preocupação da equipe foi em projetar um edifício eficiente. Por isso os telhados foram equipados com placas fotovoltaicas, capazes de gerar aproximadamente 5% da energia necessária para abastecer toda a estrutura. Eficiência energética também consiste em criar estratégias para reduzir o consumo. Assim, os arquitetos priorizaram o uso de vidro, para permitir a entrada da luminosidade natural.


As condições climáticas locais foram responsáveis pelo aspecto arquitetônico mais inusitado desta construção. Concluído em junho deste ano, o projeto é praticamente envolvido por uma proteção que impede que os raios solares incidam diretamente sobre as janelas dos escritórios.

A cobertura é composta por um conjunto de triângulos, feitos em fibra de vidro, programados para responder ao movimento do sol. Ela está aplicada a dois metros da superfície do prédio e permite maior conforto térmico interno. Durante a noite, a tela externa é fechada, tornando a abrir assim que o dia amanhece e os raios solares voltam a brilhar.


A estimativa é de que a tecnologia seja capaz de reduzir o calor em até 50%, minimizando assim a necessidade do uso de sistemas de resfriamento interno. Peter Oborn, vice-presidente do Aedas, explicou que o projeto mescla o uso de uma técnica antiga de forma moderna e deve contribuir para que os Emirados Árabes criem tecnologias a fim de assumir um papel de liderança na área de sustentabilidade.


Fonte: Ciclo Vivo 

Sustentabilidade em um empreendimento começa antes da construção



Optar por construir um empreendimento sustentável traz benefícios muito além do meio ambiente e do marketing: é uma opção cada vez mais comum para agregar qualidade e reduzir custos na obra. Contudo, antes de cimentar o título de “verde” em cada tijolo do empreendimento, deve-se buscar um processo de construção alinhado com as práticas ambientais.

Tudo começa no papel, ou melhor, no computador. Um novo software de modelagem de dados, mais avançado do que o Cad, está conquistando o mercado da construção civil como um poderoso aliado no planejamento. O BIM (Modelagem das Informações da Construção, em português) é diferente do tradicional Cad, uma vez que permite agregar informações além dos desenhos.

Uma das vantagens do BIM (e justamente o que o adjetiva como opção “sustentável”) é a antecipação do processo de planejamento . “Se a gente começar a planejar antes vamos evitar trabalho, desperdício na construção”, explicou a arquiteta Jealva Fonseca, especialista no software, ao participar do 10º Seminário Tecnológico e 9º Seminário de Inovação na Construção Civil, realizados na quinta-feira, 13 de setembro, em Salvador, durante o Construir Bahia.

De acordo com ela, ao agregar dados de diferentes setores, o programa antecipa problemas, permitindo solucioná-los antes mesmo de levantar o primeiro tijolo. “Com o BIM, já posso saber como será minha parede, minha tinta. Já chego no canteiro de obras com tudo definido”, afirma.

Planejamento

Para além da tecnologia utilizada, uma obra só será bem-sucedida no quesito ambiental se for pensada como tal bem antes de entrar no canteiro de obras. A arquiteta explica que um dos fatores que se deve pensar ao planejar a obra é o entorno. “A obra não é alheia ao ambiente”. E isso inclui pensar nas possíveis consequências geradas nas construções vizinhas. “Nosso trabalho é diminuir esse impacto negativo”, destaca ela.


Para Jealva, é necessário ainda pensar em soluções arquitetônicas que potencializem os recursos naturais já existentes no ambiente, como posicionar a janela para que absorva luz e vento suficientes para reduzir o consumo da iluminação e do ar-condicionado dentro da habitação.

 Jealva explicou como o BIM pode auxiliar a incrementar sustentabilidade na construção
Foto: Divulgação


Pesquisadora da Escola Politécnica da USP (Universidade São Paulo), Clarice Degani ressaltou também o papel fundamental do planejamento para uma construção sustentável. “É nesta fase que se toma decisões, como o material que se irá trabalhar”. Expondo como a logística no canteiro de obras pode ser sustentável, a engenheira afirmou que os processos de construção sustentável começam desde a demolição das estruturas pré-existentes, com seu o eventual aproveitamento, até as instalações provisórias, feitas não somente para abrigar os trabalhadores, mas também para promover as vendas do futuro empreendimento.

Essência

Um empreendimento responsável deve pensar a sustentabilidade para além da própria edificação. Para construir estruturas provisórias verdes, algumas características dessas instalações são desejáveis, como a gestão adequada de resíduos; conforto térmico e acústico; eficiência energética; uso racional da água; facilidade de limpeza; promoção do bem-estar dos trabalhadores; desmontabilidade e reciclabilidade.


Outros aspectos interessantes para uma intalação sustentável, de acordo com a pesquisadora, seriam a implantação de sistema de reúso ou infiltração de águas pluviais, por exemplo, e a utilização de contâineres ou edificações anteriores para construir as instalações provisórias. No entanto, ela observa que essas sugestões devem ser analisadas caso a caso. “Não é uma listinha. A sustentabilidade exige coerência. E tudo vai depender do canteiro de obras”.

 Clarice afirma que a construção sustentável começa no canteiro de obras
Foto: João Alvarez/FIEB


Por outro lado, Clarice orienta que a escolha de materiais seja responsável, pautada em diversos aspectos e não apenas no caráter sustentável. “Essa tomada de decisão não pode ser puramente ecológica, tem que estar pautada no desempenho”, salienta. De acordo com a pesquisadora, o planejamento dos materiais a serem utilizados na obras não deve ser feito isoladamente. “É essencial que essa escolha seja integrada entre produtos, sistemas, processos construtivos e desempenho final”.

Material

A pesquisadora chamou a atenção para a necessidade de investigar a procedência do material junto ao fornecedor e procurar conhecer seus componentes. “Tem muito fornecedor que não disponibiliza essas informações porque nunca pensou nisso antes”, conta. Desvendar a origem do material e assim descobrir se foi extraído de modo sustentável, também é interessante. “A madeira está na moda investigar. Mas areia e gesso não”, compara.

Além disso, no canteiro de obras é necessário haver uma boa gestão de resíduos. A legislação determina que o gerador de resíduos de construção é responsável pela destinação adequada. Para tanto, na fase de planejamento, o empreendimento é obrigado a apresentar um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC). A norma foi instituída há 10 anos, mas não ocorre na prática, porque os municípios não criaram áreas específicas para destinação destes resíduos.

“Tem muito município que também não exige dos empreendimentos”, relata Clarice, ressaltando que é interessante realizar um plano para avaliar a possibilidade de reúso ou reciclagem dentro do próprio canteiro para resíduos da Classe A (reutilizáveis na obra, como blocos e tubos), por exemplo, ou se é viável a logística reversa para os da classe B (recicláveis em outras situações, como papel e vidro).

Fonte: Ciclo Vivo